sábado, 28 de março de 2015

TEXTOS COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO PARA ENSINO MÉDIO- II

TEXTOS   COM  INTERPRETAÇÃO 


 01 .TOCANDO EM FRENTE
(Almir Sater / Renato Teixeira)
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz,
Quem sabe eu só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou
Estrada eu vou
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora um dia
A gente chega e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Após ler atentamente o texto, responda às questões:

1. Assinale mais de uma alternativa que esteja de acordo com o texto:
a. ( ) Para o poeta, a vida deve ser levada, tocada como uma boiada, pois não conseguimos entender a imprevisibilidade de ambas.
b. ( ) Só é possível ser feliz nesta jornada, depois de um toque de Deus, o velho boiadeiro, que nos impulsiona pela longa estrada da vida.
c. ( ) Só através do choro individual e de outros é que descobrimos o valor de um sorriso.
d. ( ) Manhãs, maçãs e chuva fazem parte da nossa história, já que não somos donos do nosso destino.
e. ( ) Segundo o poeta, para se viver, é necessário entender o andamento da jornada e continuar vivendo.

2. Coloque  V para as afirmativas  e F para falso, de acordo com o texto:
a. ( ) Viver é uma aprendizagem, fruto da observação atenta das alegrias e dos sofrimentos pelos quais passamos.
b. ( ) Ser feliz é o destino de todos os seres humanos, independendo das chegadas e das partidas.
c. ( ) A consciência do significado da vida e o dom da capacidade de construirmos a nossa história nos deixa mais fortes, mais felizes.
d. ( ) O poeta tem hoje um sorriso de serenidade porque nunca levou a vida com ligeireza.
e. ( ) Para podermos saborear a vida, precisamos vivenciar a paz e o amor, entre outros fatores que nos mostram que é possível compormos a nossa história com serenidade.

Marque a única alternativa correta:
3. Há várias comparações no texto que nos leva a concluir que o poeta fala:
a. ( ) da boiada
b. ( ) do boiadeiro
c. ( ) do sabor das frutas
d. ( ) dos dias vividos
e. ( ) do dom da felicidade de cada um de nós

4. Nos versos 5 e 6, o poeta demonstra que se considera um homem:
a. ( ) orgulhoso
b. ( ) sem cultura
c. ( ) experiente
d. ( ) humilde
e. ( ) sem rumo definido.
Responda com suas palavras:
5. Como era a vida do poeta no passado? Comprove sua resposta com versos da poesia.

Gabarito
Questão 1. Alternativas a, c, e
Questão 2. a. (V)       b. (F)       c. (V)      d.(F)        e.(V)
Questão 3. Alternativa (e)
Questão 4. Alternativa (d)
Questão 5. A vida do poeta era agitada e sofrida, demonstrado nos versos 1 e 2

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02 .TEXTO: MEU IDEAL SERIA ESCREVER... 
 Rubem Braga


Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa (que não sai de casa), enlutada (profundamente triste), doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”
Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada como o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má-vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário ((autoridade policial) do distrito (divisão territorial em que se exerce autoridade administrativa, judicial, fiscal ou policial), depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa (habitante da antiga Pérsia, atual Irã), na Nigéria (país da África), a um australiano, em Dublin (capital da Irlanda), a um japonês, em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou (introduziu-se lentamente em) por acaso até nosso conhecimento; é divina.”
E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.


INTERPRETAÇÃO DO TEXTO

01) Por que o autor deseja escrever uma história engraçada?
Para tornar as pessoas mais felizes, principalmente uma moça triste e doente que mora numa casa cinzenta.
02) Por que ele diz que a moça tem uma casa cinzenta, e não verde, azul ou amarela?
Porque a cor cinza lembra tristeza.
03) Ao descrever um raio de sol, o autor lhe atribui características que, de certa forma, se opõem às da moça. Cite algumas dessas características opostas.
Raio de sol: louro, quente, vivo;
Moça: enlutada(sombria), triste, doente
04) Como você interpretaria a oração “que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria”?
Que todos se tornassem mais alegres e humanos.
05) O autor sonha em tornar mais felizes e sensíveis apenas as pessoas de seu país? Justifique.
Não. Ele imagina sua história espalhada pelo mundo e fosse contada de mil maneiras por pessoas de várias nacionalidades.
06) Relacione as colunas conforme as reações das pessoas diante da história:
(a) moça triste ( d ) libertaria os detentos, dizendo-lhes para se comportarem, pois não gostava de
prender ninguém
(b) amigas da moça triste (c ) sentir-se-ia tão feliz que se lembraria do alegre tempo de namoro
(c) casal mal-humorado (b ) ficariam espantadas com a alegria repentina da moça
(d) comissário do distrito (e ) concluiria que teria valido a pena viver tanto, só para ouvir uma história tão
engraçada
(e) sábio chinês (a ) ficaria feliz e contaria a história para a cozinheira e as amigas

07) Por que o autor não contaria aos outros que havia inventado a história engraçada para alegrar a moça triste e doente? Copie a alternativa correta:
(a) porque, na verdade, a moça triste não existia
(b) por que ele mesmo não achava a história engraçada
(c) por modéstia e humildade
(d) porque não acreditariam que ele fosse capaz de inventar aquela história

08) Afinal, que história Rubem Braga inventou para alegrar e comover tantas pessoas?
Na crônica, o autor não contou a história engraçada, ficou apenas no desejo, na aspiraçao.
09) Na sua opinião, o que mais sensibiliza as pessoas: histórias engraçadas ou dramáticas? Justifique.


03.Texto:Bolsa-Floresta

Quando os dados do desmatamento de maio saíram esta semana da gaveta da Casa Civil, onde ficaram trancados por vários dias, ficou-se sabendo que maio foi igual ao abril que passou: perdemos de floresta mais uma área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. Ao ritmo de um Rio por mês, o Brasil vai pondo abaixo a maior floresta tropical. No Amazonas, visitei uma das iniciativas para tentar deter a destruição.

O Estado do Amazonas é o que tem a floresta mais preservada. O número repetido por todos é que lá 98% da floresta estão preservados, 157 milhões de hectares, 1/3 da Amazônia brasileira. A Zona Franca garante que uma parte do mérito lhe cabe, porque criou alternativa de emprego e renda para a população do estado. Há quem acredite que a pressão acabará chegando ao Amazonas depois de desmatados os estados mais acessíveis.

João Batista Tezza, diretor técnico-científico da Fundação Amazonas Sustentável, acha que é preciso trabalhar duro na prevenção do desmatamento. Esse é o projeto da Fundação que foi criada pelo governo, mas não é governamental, e que tem a função de implementar o Bolsa-Floresta, uma transferência de renda para pessoas que vivem perto das áreas de preservação estadual. A ideia é que elas sejam envolvidas no projeto de preservação e que recebam R$ 50 por mês, por família, como uma forma de compensação pelos serviços que prestam. [...]

Tezza é economista e acha que a economia é que trará a solução:
— A destruição ocorre porque existem incentivos econômicos; precisamos criar os incentivos da proteção.[...] Nas áreas próximas às reservas estaduais, estão instaladas 4.000 famílias e, além de ganharem o Bolsa- Floresta, vão receber recursos para a organização da comunidade. — Trabalhamos com o conceito dos serviços ambientais prestados pela própria floresta em pé e as emissões evitadas pela proteção contra o desmatamento. Isso é um ativo negociado no mercado voluntário de redução das emissões — diz Tezza.
Atualmente a equipe da Fundação está dedicada a um trabalho exaustivo: ir a cada uma das comunidades, viajando dias e dias pelos rios, para cadastrar todas as famílias. A Fundação trabalha mirando dois mapas. Um mostra o desmatamento atual, que é pequeno. Outro projeta o que acontecerá em 2050 se nada for feito. Mesmo no Amazonas, onde a floresta é mais preservada, os riscos são visíveis. Viajei por uma rodovia estadual que liga Manaus a Novo Airão. À beira da estrada, vi áreas recentemente desmatadas, onde a fumaça ainda sai de troncos queimados. [...]                                                                        
 LEITÃO, Miriam. In: Jornal O Globo.
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 

1)Bolsa-Floresta, título do texto, é o nome dado a um(a)

(A) recurso adotado por empresas privadas para que a
população dê suporte aos projetos de desmatamento.

(B) mensalidade destinada aos moradores das cercanias de
áreas de preservação por sua ajuda.

(C) medida social para apoio às populações da floresta, que
não têm de onde obter sobrevivência.

(D) doação governamental regular feita às pessoas
que moram na floresta, como se fosse uma bolsa de
estudos.

(E) ajuda realizada por organizações não governamentais
para que a população de baixa renda possa se manter
melhor.

2)A expressão em destaque no trecho “Quando os dados do

desmatamento de maio saíram esta semana da gaveta ...”

pode ser adequadamente substituída, sem

alteração do sentido, por

(A) foram finalmente examinados.

(B) foram apresentados às autoridades.

(C) foram tirados da situação de abandono.

(D) encaminharam-se ao setor técnico.

(E) chegaram ao conhecimento público.


3)No 2o parágrafo, o mérito da Zona Franca na preservação
florestal do estado do Amazonas deve-se ao fato de ter:

(A) oferecido oportunidades de ganho para a população,
afastando-a do desmatamento.

(B) atraído compradores de todas as partes do Brasil com o
seu comércio florescente.

(C) criado uma área de comércio de bens livres de impostos, o
que favoreceu novas aquisições para a população.

(D) feito a promoção do desenvolvimento econômico
da região, melhorando sua contribuição para o PIB
brasileiro.

(E) aberto o mercado interno nacional para a entrada de
produtos estrangeiros de alta tecnologia.

4)“No Amazonas, visitei uma das iniciativas para tentar deter a
destruição.” . Tal iniciativa é a(o)

(A) manutenção da Zona Franca.

(B) criação do Bolsa-Floresta.

(C) expansão de 1/3 da Amazônia.

(D) preservação da floresta.

(E) comprometimento do governo estadual.


5)Com a leitura do parágrafo que contém a oração “porque
criou alternativa de emprego e renda para a população do
estado.” pode-se inferir que, no texto, a outra alternativa
seria:

(A) buscar outra fonte de renda.

(B) desmatar a floresta.

(C) emigrar para outro estado.

(D) trabalhar na Zona Franca

GABARITO

1 - B          4 - B
2 - E          5 - B
3 - A

 04.TEXTO: ANÚNCIOS SUTIS COMO ELEFANTES

              Não tenho boa memória para publicidade. E seria muito neurótico de minha parte ficar na frente da TV anotando o texto exato do anúncio só para comentar depois. Não sei se era de um banco, de um provedor de internet ou de companhia telefônica.
            Só sei que aparecia um tipo em trajes de banho, numa espreguiçadeira, curtindo sua piscininha. Ao lado, a namorada de maiô. O locutor começa: “Que tal se você mudasse de namorada... arranjasse uma mais simpática, mais bonita, mais interessante... etc.” E, num truque de computador, surge uma loiraça de biquíni contorcendo-se na frente do rapaz. Irresistível. Espetacular. O carinha se interessa.
            “Ah, não”, brinca o locutor. Você não vai abandonar a sua namorada, não é? Puf, a loira some e o rapaz volta à situação de início. Que decepção. “Mas você pode”, festeja o locutor, “mudar de banco ou de seguradora! E a nossa empresa é tão espetacular quanto a loira desaparecida.
            Fico chocado. Não quero ser moralista demais. O escandaloso do anúncio não é que se faça o elogio do adultério. O que faz de pior é tratar a situação “normal” do personagem – muito feliz ali com a namorada, que nada tinha feito de errado – como sinal de perda, de fracasso, de burrice.
            É como se o anúncio dissesse: meu poder é tão grande, as tentações que manipulo são tão poderosas, que eu sei e você sabe que o certo é largar tudo e ir correndo atrás delas.
            O seu desinteresse pelos meus serviços – sua fidelidade, seu amor pela namorada – são pura hipocrisia. Muito bem, estou dando uma chance a você de provar para mim que não é otário nem hipócrita: afogue sua namorada na piscina, delete-a da memória e assine aqui este contrato. A pessoa que está do seu lado, sabemos, é apenas uma fornecedora de serviços não muito satisfatória se comparada à loiraça que, agora, você teme perder.
           A brutalidade desse anúncio de alguma forma se autodenuncia. Quanto mais vejo TV, mais dificuldade tenho em dissociar publicidade de prostituição. Mas o cliente poderia ao menos ter a ilusão de que gostam mesmo dele. Já estão me tirando isso. Penso em outro anúncio.
           O pai aparece dirigindo um carro, com a filha adolescente no banco de trás. Ela vai logo dizendo: “Pode parar, fico aqui mesmo, não precisa me levar até a porta”. A situação se repete com outro adolescente. Claro, pensamos, filhos dessa idade têm vergonha de serem vistos junto com os pais.
          Mas não era isso. Um terceiro menino, de uns 11 anos, faz questão do contrário. Quer que o pai o deixe bem na porta do cinema, onde será visto pelos amigos. A câmera se afasta, e vemos a razão. É que o pai do menino tem um carro da marca X... e o garoto quer exibi-lo diante dos coleguinhas.
          Conclusão do amável locutor (será o mesmo?): não é que seus filhos tenham vergonha de você. Eles têm vergonha é do seu carro.
          Mas como o locutor sabe qual é o meu carro? A minha namorada, tudo bem, ele e eu já concordamos que é fraquinha, devendo ser dispensada sem aviso prévio. Mas o meu carro?
          A conclusão do anúncio, claro, é diversa daquela apresentada. Quando eu comprar o carro indicado, poderei levar meus filhos até a porta do cinema ou da festinha. Não é que meus filhos devam ter orgulho de mim: eles devem ter orgulho é do meu carro.
          Que valores, hein? Num ambiente desses, dizer que Bush “defende” os “valores ocidentais” no Iraque – democracia, liberdade, direitos humanos – não soa muito convincente. Os verdadeiros valores ocidentais, por aqui, parecem ser outros.
           Por falar em Ocidente e em carros, cito um último anúncio, mais sutil. Vale como símbolo, sem dúvida autoconsciente, da comédia da globalização e do colapso das economias nacionais do Terceiro Mundo.
           Estamos na Índia ou no Paquistão, tanto faz. Um rapaz “étnico” tem um carrinho da década de 60, todo quadrado, não sei de que marca – alguma fábrica local já extinta.
           Pega o carro, bate contra um muro, amassa-o de todos os lados, a até convoca um elefante para sentar-se no capô. (Na Índia, há elefantes por toda parte, e talvez isso atrapalhe muito o trânsito. Por isso mesmo, quero um motor mais potente.) Em todo o caso, o elefante fez um bom serviço. Ajuda a tornar o carro um pouco mais arredondado, do jeito que o indiano queria.
          Sim, pois o que nosso mísero nativo desejava era tornar seu carrinho o mais parecido possível com o novo modelo da marca Y, um prodígio do design arredondado. E eis agora o indiano na porta de uma boate, tentando fazer sucesso com a prensagem elefantina do seu velho modelo. Será que foi buscar o filho?
          Mas eles continuam tendo filhos lá na Índia?
          E continuam fazendo carros? Melhor importar logo um de fora. E também a loiraça.
(Marcelo Coelho. Folha de S.Paulo, 9/4/2010)
ESTUDO DO TEXTO
O texto lido foi publicado numa coluna semanal do jornalista Marcelo Coelho.
1.Como você classificaria o texto quanto ao gênero: como relato  pessoal, notícia, texto de opinião ou conto?É um texto de opinião, pois leva o leitor a assumir o mesmo ponto de vista do autor.
2. Indique, entre os itens a seguir, o que traduz melhor a finalidade principal do texto.
a) (  ) Ensinar a um público especializado como fazer anúncios publicitários.
b) (x  ) Analisar anúncios publicitários a fim de levar o leitor a refletir criticamente sobre os valores transmitidos por eles.
c) (  ) Promover comercialmente três produtos diferentes.
d) (  ) Analisar, com finalidade didática, o modo como são construídos os anúncios publicitários.
3)Três anúncios são comentados no texto. Em relação ao primeiro anúncio, o autor afirma: “Não quero ser moralista demais”.
a) Por essa afirmação, o autor admite estar sendo moralista? Por quê?
Sim, porque não apenas por cultuar o adultério, mas sim o fato de achar normal.
b)Por que o anúncio e o comentário dele supostamente envolveriam uma questão moral?
Pela falta de respeito aos sentimentos das pessoas que não são levados em conta.
4) O último anúncio comentado mostra uma situação, na Índia ou no Paquistão, em que um rapaz “étnico” modifica as formas de seu carro.
a) O que você entende por rapaz “étnico”?
Um rapaz que respeita a cultura de seu povo.
b) As ações  do rapaz são condizentes com as tradições de seu país? Por quê?
Sim, pois em seu país há elefantes por toda parte, e o mesmo ajudou a deixar seu carro mais arredondado como queria.
 5) Segundo o autor, o terceiro anúncio é um símbolo da “comédia da globalização e do colapso das economias nacionais do Terceiro Mundo”. Explique  essa afirmação.
O texto fala em um mísero nativo, subentende que o mesmo não tem muitas condições financeiras para importar um carro, sendo a burocracia dificulta e aumenta os preços dos carros.


05.TEXTO:  Conto de fadas para Mulheres Modernas

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas, uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…
… E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: – Eu, hein?… nem morta!
(Luís Fernando Veríssimo)
Interpretação de Texto
1. A princesa possui uma atitude típica das heroínas de contos de fada? Explique?
2. Em um conto de fada clássico, qual seria o desfecho desse conto?
3. Qual o conceito de “Felizes para sempre” para o príncipe?
4. Em sua opinião, qual o conceito de felicidade na visão da princesa?
5. Quais adjetivos são usados para definir a princesa? Esses adjetivos condizem com a atitude que ela toma no fim do conto? Justifique.
6. Intertextualidade é quando um texto remete a outro. Existem três tipos de intertextualidade, a paráfrase (quando o texto possui as mesmas ideias centrais do texto original), apropriação (quando o texto é reescrito com as mesmas palavras) e Paródia (quando o texto possui ideias contrárias as ideias centrais do texto original). No texto lido lembramos a clássica história do príncipe transformado em sapo e na construção desse texto o autor usou qual tipo de intertextualidade? Justifique.
7. O título do texto nos dá ideia do que encontraremos nesse conto? Caso sim, explique qual a posição da mulher moderna?
8. Qual o dito popular que define melhor a ideia central do conto de Luís Fernando Veríssimo?
(a)   Melhor um na mão do que dois voando.
(b)   Sempre existe um sapato velho para um pé doente.
(c)    Antes só do que mal acompanhada.
(d)   Quem ama o feio bonito lhe parece.
(e)   Quem cospe para cima na cara lhe cai.

GABARITO

Como solicitado, aqui está o gabarito.
1. Não, pois a princesa preza por sua independência e não tem a ideia de felicidade relacionada à figura masculina (como costuma acontecer nos contos de fada).
2. Ela terminaria com o príncipe e “viveriam felizes para sempre”.
3. Construir um lar feliz no qual ela viveria em função de cuidar dele e da família.
4. Ser independente. (Essa resposta é pessoal,portanto existem diversas respostas certas).
5. Independente, cheia de auto-estima. As características da princesa condizem com sua atitude final, pois ela preza por sua liberdade.
6. Paródia, pois perverte a ideia do texto original. A ideia principal do texto de Veríssimo é completamente diferente da ideia do clássico conto de fadas.
7. Sim, pois a princesa tem uma atitude das mulheres do nosso século ao prezar por sua liberdade.
8. C

Claro que todas as respostas podem ter variações, porém devem respeitar uma certa lógica.
Espero ter ajudado.

06.TEXTO: TORMENTO NÃO TEM IDADE

      - Meu filho, aquele seu amigo, o Jorge, telefonou.
        - O que é que ele queria?
        - Convidou você para dormir na casa dele, amanhã.
        - E o que é que  você disse?
        - Disse que não sabia, mas que achava que você iria aceitar o convite.
       - Fez mal, mamãe. Você sabe que odeio dormir fora de casa.
       - Mas meu filho, o Jorge gosta tanto de você...
       - Eu sei que ele gosta de mim. Mas eu não sou obrigado a dormir na casa dele por causa disso, sou?
       - Claro que não. Mas...
       - Mas o que, mamãe?
      - Bem, quem decide é você. Mas, que seria bom você dormir lá, seria.
      - Ah, é? E por quê?
      - Bem, em primeiro lugar, o Jorge tem um quarto novo de  hóspedes  e  queria estrear com você. Ele disse que é uma quarto muito lindo. Tem até tevê a cabo.
      - Eu não gosto de tevê.
      - O Jorge também disse que queria lhe mostrar uns desenhos que ele fez...
      - Não estou interessado nos desenhos do Jorge.
      - Bom. Mas tem mais uma coisa...
      - O que é, mamãe?
     - O Jorge tem uma irmã, você sabe. E a irmã do Jorge gosta muito de você. Ela mandou dizer que espera você lá.
     - Não quero nada com a irmã do Jorge. É uma chata.
     - Você vai fazer uma desfeita para a coitada...
     - Não me importa. Assim ela aprende a não ser metida. De mais a mais você sabe que eu gosto da minha cama, do meu quarto. E, depois, teria de fazer uma maleta com pijama, essas coisas...
     - Eu faço a maleta para você, meu filho. Eu arrumo suas coisas direitinho, você vai ver.
    - Não, mamãe. Não insista, por favor. Você está me atormentando com isso. Bem, deixe eu lhe lembrar uma coisa, para terminar com essa discussão: amanhã eu não vou a lugar nenhum. Sabe por que, mamãe? Amanhã é meu aniversário. Você esqueceu?
    - Esqueci mesmo. Desculpe, filho.
    - Pois é. Amanhã estou fazendo 50 anos. E acho que quem faz 50 anos tem direito de passar a noite em casa com sua mãe, não é verdade?
                               (SCLIAR, Moacyr. Folha de S.Paulo,3 set.2001, p.C2)
EXPRESSÃO ESCRITA
     
1.No texto, temos a presença de dois personagens. Quem são eles?
A mãe e o filho.
         
2. A mãe usa vários argumentos para tentar convencer o filho a dormir na casa do Jorge. Cite tres.
Não gosta de dormir fora de casa; a irmã do Jorge é chata e é aniversário dele.

3. Quais justificativas o filho deu para não dormir na casa do amigo?
"Pois é. Amanhã estou fazendo 50 anos. E acho que quem faz 50 anos tem o direito de passar a noite em casa com sua mãe, não é verdade?
   
4.Na  frase: “O Jorge também disse que queria lhe mostrar uns desenhos que ele fez...”, a mãe com suas próprias palavras, conta ao filho algo que foi dito pelo Jorge.
Que tipo de discurso é este: DIRETO OU INDIRETO?
Indireto
5. Porque a descoberta da idade do filho surpreende o leitor?
Porque o leitor pensa que é uma crianca e na verdade é um homem maduro.

6. O diálogo entre a mãe e o filho reproduz uma situação comum ou incomum?
Justifique sua resposta.
    Incomum. É difícil um homem de 50 anos dormir na casa de amigos.
      
07.TEXTO: MEU PROFESSOR INESQUECÍVEL

       Mesmo antes de saber ler eu já vivia num mundo de histórias, que meu pai, um gráfico, me contava. A realidade para mim resumia-se em escovar os dentes e amarrar os sapatos. O resto, fantasia das mil e uma noites e de mil historietas infantis. Algumas, ele próprio inventava, mas não era seu forte. Geralmente fazia a maior confusão, improvisando finais que nenhuma relação tinham com o princípio. Sua memória nunca foi grande coisa. [...] Tendo terminado seu trabalho, íamos para o fundo do quintal. Toda casa tinha um, comprido e arborizado. [...]

      Íamos felizes para o extremo da casa e sentávamos sobre caixotes. Eu adorava suas histórias [...].
      - Como acaba a história, pai?
      - Qual?
      - A que está contando.
      - Refere-se à Branca de Neve?
      - Essa o senhor já contou, mas pode contar outra vez.
      - Bem, o Lobo Mau andava pela floresta de olho na Branca de Neve. Seguia a menina por toda parte, o malvado.
      Estranhei.
      - Não foi esse lobo que comeu a avozinha de Chapeuzinho Vermelho?
      Meu pai hesitou. Era ou não era? Eu exigia.
      - Primo dele.
      - A inimiga da Branca de Neve não era a bruxa?
[...]
      - E quem diz que não? Diabo de bruxa.
      - O que o lobo faz nessa história?
      - Pergunta oportuna. Ele passava pela floresta, como se não quisesse nada, quando viu a menina com os cinco anões.
    - Sete anões, pai.
    - No momento eram cinco. Dois estavam em casa com gripe. Tinham tomado muito sorvete. E cuidado você também com os gelados. Mas o lobo se deu mal porque o Pequeno Polegar, usando um estilingue, deu cabo dele. Dias depois a Branca de Neve e o Pequeno Polegar casavam-se.
     - Ela não casou com um príncipe, pai? [...]
     - Um príncipe?
    - Sim, foi com um príncipe.
    - Em segundas núpcias – esclareceu. – Coisas da vida.
    Algum tempo depois, com o auxílio de uma cartilha, ele me ensinou a ler, tarefa então mais complicada porque cavalo era assim- cavallo. Farmácia era assim – pharmacia. Ontem era hontem. E a cidade de Niterói escrevia-se Nictheroy.
     Dentro de casa, porém, não me sentia ainda alfabetizado. O prazer da leitura eu descobriria, também com ele, nos anúncios expostos no interior dos bondes, os reclames, como então dizíamos. Notadamente no camarão, o bonde fechado, apelido derivado de sua cor vermelha. Silabando, eu lia os anúncios um a um. Na maioria remédios. Capivarol, Biotônico Fontoura, Xarope São João. Eu e todo mundo porque a própria propaganda, uma novidade, chamava a atenção geral. Os bondes era uma cartilha animada para os meninos daquela geração.
     [...] Foi ele quem ergueu o dedo, apontando-me o Martinelli, ainda em andaimes. Levou-me para conhecer o Viaduto do Chá e presenciar a abertura da Nove de Julho. Outra de suas paixões citadinas eram os bairros ricos. Aos domingos, pela manhã, costumava passear à sombra das mansões dos barões do café, em Higienópolis. Quando via uma delas desocupada, dava um jeito de visitá-la. Lembro-me de nós percorrendo uma infinidade de cômodos vazios de um verdadeiro palácio. Ele punha os olhos em tudo, observando os detalhes da construção. Amava lustres, escadas de mármore e ladrilhos portugueses. Nos banheiros exultava se as torneiras fossem douradas. Homem exigente. Requintado, sim.
 Marcos Rey
DIALOGANDO COM O TEXTO
Nesta narrativa, o narrador apresenta o pai como seu primeiro e inesquecível professor.
1) Porque os fatos narrados foram marcantes  para o narrador?
    a) Porque foram momento de aprendizagem.
    b) Porque o pai contava histórias inventadas.
    c) Porque ele se divertia com as falhas de memória do pai.
    d) Porque ele se encantava com as histórias de mil e uma noite.

2) Como eram transmitidos os ensinamentos do pai para o filho:
     a) Por meio de histórias de vida.
     b) Por meio de livros de literatura infantil.
     c) Nos passeios pela cidade.
     d) Por meio da narracão.
3) Como o narrador descobriu o prazer da leitura?
     a) Nos livros de história.
     b) Nos anúncios expostos no bonde.
     c) Na cartilha.
     d) Nas histórias que o pai escrevia.
4) O que o narrador quer dizer com "os bondes eram uma cartilha animada para os meninos"?
     a) Que os passeios de bonde eram animados e divertidos.
     b) Que passeando de bonde os meninos iam aprendendo a ler com os cartazes de rua.
     c) Que nos bondes a propaganda chamava atencão e funcionava como uma cartilha , porque os meninos se esforcam para ler os anúncios.
     d) Que os anúncios expostos no bonde eram divertidos.

08. TEXTO: ACABOU O VESTIBULAR
          Cresce o número de escolas que selecionam calouros com métodos alternativos.

          Quase 3 milhões de formandos no Ensino Médio estão neste momento se preparando para disputar os exames vestibulares. Pelo menos um terço desses adolescentes está matriculado em cursinhos para compensar as falhas de sua formação do ensino fundamental. Às voltas com apostilas e pilhas de exercícios, dormem mal e enfrentam um stress violento. Pois bem. Esse inferno juvenil já tem remissão. “Acabou o vestibular.” É com essa notícia para lá de boa que a Faculdade da Cidade, uma universidade privada carioca, abre o seu site na Internet. Em São Paulo, as Faculdades Metropolitanas Unidas seguem um caminho parecido e mesmo escolas públicas, como a Universidade Federal de Santa Maria e a Universidade de Brasília, UnB, já oferecem vagas segundo critérios que passam ao largo da crueldade do vestibular tradicional.
        O Ministério da Educação não tem a menor ideia de quantas escolas estão usando métodos novos de seleção de calouros. Também não quer saber, já que a Lei de  Diretrizes e Bases aprovada em 1996 conferiu às universidades autonomia para definir como bem entenderem os critérios de admissão aos seus cursos.
Cursinho e decoreba – O que assusta é que muitas faculdades de baixo nível aboliram o vestibular como um recurso a mais para atrair estudantes sem nenhuma condição de frequentar um curso superior, num esquema “pagou-entrou”. Seria uma forma de tentar cooptar clientes num momento em que 818 escolas particulares em todo o país disputam um mercado que parou de crescer já há alguns anos, fixando-se na casa dos 2 milhões de alunos. Antes, com a exigência de que todas as faculdades fizessem exames vestibulares, tinha-se a impressão de que havia algum crivo, por mínimo que fosse, para a entrada no Ensino Superior. Mas era só uma impressão, porque, na verdade, quem acabava entrando nessas arapucas era gente que não conseguia ser aprovada em nenhuma seleção séria. Não é aí que as coisas mudarão.
          O que o fim do vestibular tem de bom é que acabará com o horror e a desumanidade de submeter os jovens a um exame estúpido, que exige o domínio artificialíssimo sobre todo o conteúdo do Ensino Médio. Na prática, o que se faz é estimular a indústria dos cursinhos e a decoreba de equações e fórmulas. As respeitadíssimas universidades americanas da Califórnia, Harvard, Yale, ou o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que não têm vestibular, já mostraram o caminho. Seus alunos estão entre os melhores do mundo e são selecionados com base em entrevistas e avaliações de desempenho escolar no decorrer de todo Ensino Médio.
         A Universidade Federal de Santa Maria, do Rio Grande do Sul, e a UnB resolveram experimentar alternativas ao vestibular tradicional há dois anos. Tem sido um sucesso. Em vez de bateria única de testes no final do Ensino Médio, as duas universidades aplicam as provas em doses homeopáticas, ao final de cada ano letivo. Terminando a 1ª Série, os colégios inscrevem seus alunos para testes a respeito do currículo desse ano. Findos a 2ª e 3ª séries, o mesmo procedimento se repete. Somadas as notas obtidas ao longo dos três anos, os alunos são classificados. Entram na faculdade os primeiros colocados. Na Federal de Santa Maria, 20% das vagas são preenchidas segundo esse critério. Na UnB, a avaliação no decorrer do Ensino Médio responde pelo ingresso de 25% dos alunos.
          Esse método permite que o estudante avalie o ensino que está recebendo durante o Ensino Médio. “O programa tem um importante papel educacional, porque o aluno do ensino médio acaba cobrando mais do professor”, diz Ricardo Gauche, coordenador do Programa de Interação com o Ensino Médio da Universidade de Brasília [...]
Com reportagem de Rodrigo Cardoso, de São Paulo, e Cristiane Prestes, de Porto Alegre.

O ESTUDO DO TEXTO

1.O texto lido, discute o exame vestibular no Brasil. No 1º parágrafo do texto  encontra-se  o lead, que  responde às perguntas básicas de uma notícia: 0 quê, quem, quando, onde, como, por quê.
a) Qual é o fato?
O fim do vestibular em algumas universidades.
b) Onde esse fato tem ocorrido?
Faculdade da Cidade/RJ e Faculdades Metropolitanas Unidas/SP(particulares), já nas públicas são: Universidade de Santa Maria e a Universidade de Brasília- UnB.
 c) Como isso tem sido feito?
Cada universidade tem autonomia para definir os critérios de admissão, segundo a Lei de Diretrizes e Bases.
  d) Por que esse fato tem ocorrido?
Porque dos quase 3 milhões de formandos no Ensino Médio, um terço desses adolescentes fazem cursinho para compensar falhas do ensino fundamental.
 2.  Os demais parágrafos do texto ampliam o lead, acrescentando novos fatos, questionando suas causas e efeitos e interpretando-os. Em relação ao 1º e 2º parágrafos da parte do texto intitulada “Cursinho e decoreba”, responda:
a) Qual é a razão de faculdades particulares de baixo nível abolirem o vestibular?
Como um recurso para atrair mais estudantes.
b) Quais as consequências positivas decorrentes do fim do vestibular tradicional?
  Que acabará com o horror e a desumanidade de submeter os jovens a um exame estúpido, que exige o domínio artificialíssimo sobre todo o conteúdo do Ensino Médio.               
3) Universidade Federal de Santa Maria, do Rio Grande do Sul, e a UnB(Universidade de Brasília) adotaram método alternativo ao vestibular tradicional. Outras universidade já iniciaram processos de seleção baseados no mesmo método.
a) Em que consiste esse método alternativo?
As duas universidades aplicam as provas em doses homeopáticas, ao final de cada ano letivo. Terminando a 1ª série, os colégios inscrevem seus alunos para testes a respeito do currículo desse ano. Findos o 2ª e o 3ª séries, o mesmo procedimento se repete. Somadas as notas obtidas ao longo dos três anos, os alunos são classificados. Entram na faculdade os primeiros colocados.
           
4) Identifique e copie, no texto, um trecho de entrevista que destaca a contribuição desse novo método de seleção para o ensino médio.
"O programa tem um importante papel educacional, porque o aluno do ensino médio acaba cobrando mais do professor."
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09 . TEXTO:  DECLARAÇÃO DE AMOR


     Visto a camisa do Ano Internacional do Voluntariado, promovido pela ONU, e faço do meu tempo livre laço e abraço que nos une aos desfavorecidos. Espelho-me em meu próximo. Faço de sua dor o meu ardor, de seu sofrer o meu dever, de seu desamparo o ponto em que paro, ouço e destrilho-me do comodismo para ir ao seu encontro.

      Abro as janelas do espírito e espano a poeira da dessolidariedade. Arranco os olhos da TV, o traseiro do sofá, a indolência da ociosidade e recolho a língua de inconfidentes mesquinharias. Vou até lá, onde a carência é expectativa de mão amiga: a creche da periferia, o hospital de indigentes, o asilo de memórias esquecidas, as instituições do terceiro setor comprometidas com o pão de cada dia da verdadeira democracia: a cidadania.
       Não faço o trabalho do poder público, nem o isento da obrigação de resgatar, o quanto antes, a dívida social. Não me disponho a ser mão de obra gratuita de entidades que sonegam o direito ao trabalho com o recibo adulterado da boa vontade alheia.
        Ser voluntário é somar esforços, entrar pela porta da compaixão e repartir o que nenhum mercado oferece ou provê: carinho, apoio, talento, cumplicidade, de modo a dar a vez a quem foi emudecido pela opressão, e voz a quem foi excluído pela injustiça.
        O voluntariado resgata a minha autoestima, redesenha minha face humana, desdobra as fibras endurecidas de minha abissal preguiça, insere-me na dinâmica social, faz-me próximo dessas multidões premiadas injustamente pela loteria biológica por nascerem empobrecidas. Eu poderia ser um deles. Meu bem-estar, mais que privilégio, é (b)ônus.
      Sou voluntário porque sou solidário, presente no universo das aflições, na esfera alucinada dos dependentes químicos, na saudável reinvenção do esporte junto àqueles que estão próximos a ser derrotados pelo jogo do crime.
      Mobilizo coletas de alimentos para quem sabe que “a fome é ontem”, como exclamou Gabriela Mistral, e trabalho em favor da conquista de direitos, para quem padece desmandos estruturais e políticos.
      Apoio empresas cientes de sua responsabilidade social. Busco torná-las elos da vasta corrente ética que já não  faz  da  obsessão do lucro sua única razão de ser, pois centram o ser humano em seus empreendimentos ecológicos, liberam  funcionários para atividades voluntárias, sem reduzir-lhes salários ou cobrar-lhes reposição de horas. São empresas prestadoras do único serviço que não tem preço: o gesto samaritano.
      Não faço “caridade”, nem dou esmolas. Longe de mim o assistencialismo que aplaca os descasos políticos como quem aplica pomadas.
      Voluntário, sou multidão. Solidário, sou mutirão. Somando com todos aqueles que têm fome e sede de justiça.
      Inebriado pela utopia bíblica do paraíso, recuso-me a acatar qualquer uma das fraturas que negam à família humana o direito à fraternura. Dou as mãos a quem acredita que a felicidade é o artigo único da Declaração Universal dos Direitos Humanos.  
                                            Frei Betto. O Estado de S. Paulo, 15/10/1997.
DIALOGANDO COM O TEXTO

1. O texto tem como título Declaração de amor. Sabendo que declarar significa dar a conhecer, manifestar, anunciar, comunicar, responda.
a) O que o autor dá a conhecer ou anuncia nesse texto?
Como ser voluntário.
2. O autor assume de modo consistente a sua posição de comprometimento com os menos favorecidos. Assinale a alternativa que confirme a posição do autor.
a) ( x ) “Visto a camisa do Ano Internacional do Voluntariado, promovido pela ONU, e faço do meu tempo livre laço e abraço que nos une aos desfavorecidos.”
b) (  ) “Arranco os olhos da TV, o traseiro do sofá, a indolência da ociosidade e recolho a língua de inconfidentes mesquinharias.”
c) (  ) “Apoio empresas cientes de sua responsabilidade social”.
 3.A posição do autor vai se revelando pela explicitação do que significa “vestir a camisa”. Releia os dois primeiros parágrafos e explique o que significa essa ideia, segundo o autor.
Segundo o autor, "vestir a camisa " é comprometimento com o voluntariado, e não fazer o trabalho do poder público ou ser  mão de obra gratuita de entidades que sonegam o direito ao trabalho com o recibo adulterado da boa vontade alheia.
   4.O autor apresenta aos leitores sua escala de valores pessoais, ao expressar os motivos que o fazem engajar-se no movimento voluntário.
a) Quais são esses motivos?
Unir aos desfavorecidos, somar esforços, dar carinho, apoio, cumplicidade, de modo a dar a vez a quem foi emudecido pela opressão, e voz a quem foi excluído pela injustiça.
b) Além do que o voluntariado pode proporcionar aos menos favorecidos, na sua opinião, que outros ganhos pessoais poderiam ser acrescentados?
Resposta pessoal.
5. De acordo com o autor, ser voluntário é ser solidário e participar ativamente com ações concretas.
a) Entre as diversas ações que realiza, o autor cita o apoio a determinadas empresas. Em que essas empresas se destacam?
Empresas ciente se sua responsabilidade social, prestadoras de um único serviço que não tem preço: o gesto samaritano.
b) Na sua opinião, qual estratégia desperta mais o interesse das pessoas pelo voluntariado: abordar as consequências da falta de ação solidária ou citar exemplos de ações bem-sucedidas?
Resposta pessoal.


10. TEXTO: VIOLÊNCIA NA BALADA


Adolescentes espancado por grupo de jovens, ao sair de casa noturna no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo, teve diversos ossos da face quebrados e perdeu quatro dentes

          Sábado, dia de balada para a maioria dos jovens de São Paulo. O bairro da Vila Olímpia e suas dezenas de casas noturnas costuma ser o destino para o diversão de muitos deles.
          Como é o caso do estudante Diego,17, que, depois de passar o feriado de Corpus Christi com a família, no litoral paulista, saiu de casa, por volta das 23h30 do dia 12 de junho para curtir a noite não terminou tão bem como começou.
         Os dois tentaram entrar na recém-inaugurada casa noturna Avelino’s, mas desistiram por causa da fila. Resolveram ir ao Ibiza, às 2h30, na rua da Casa do Ator. Ao sair do clube, por volta das 6h30 da manhã do dia 13, foram abordados por cinco jovens. Rafael levou um soco, mas ficou desacordado no chão. Sem poder se defender, recebeu diversos chutes, a maioria no rosto. Dois dos agressores estão presos. Não se sabe se eles estavam na casa.
       Os motivos dessa violência gratuita e irracional não estão claros. Segundo o pai de Diego, Luiz Carlos Pereira Pone, a última coisa que o filho se lembra foi de ter ouvido a frase:”Você é folgado!” Ele está desfigurado, não é o Diego que a gente conhece da fotografia. Ele apanhou muito, quase tudo no rosto. Teve vários ossos da face quebrados e terá de passar por cirurgias corretivas. Ele quebrou os ossos em volta dos dois olhos, o nariz, o osso acima do nariz e perdeu quatro dentes, um deles arrancado com raiz e tudo”, conta o pai, enquanto acompanha o filho, internado desde domingo em um hospital.
       A violência do bairro não é nenhuma novidade no 96º Distrito policial, no Brooklin, que atende às ocorrências  na  Vila Olímpia, segundo o delegado titular desse DP. Dejair Rodrigues. “Só neste ano, houve pelo menos 30 ocorrências de brigas em casas noturnas da região, sendo que, além dessa, mais uma três graves. Se um jovem dá um esbarrão em outro numa casa noturna e um deles olha feio, já é motivo de briga”, conta Rodrigues[...]
      O incidente mudará as vidas das famílias e dos adolescentes agredidos. “Apesar de tudo, não tenho muito receio da balada em si. Em lugar que tem muita gente, não há paz. Mas meus pais já cortaram a minha balada por um bom tempo”, conta Rafael.
       Para o pai de Diego, os adolescentes têm de ouvir conselhos. “Acho que o jovem tem direito de aproveitar. Mas seria bom que eles escutassem os pais. Quando o pai quiser buscar o filho, deixar. [...] se eu tivesse ido talvez não tivesse acontecido nada disso”.
Leando Fortino (Folha de S.Paulo, 21/6/2004)
O ESTUDO DO TEXTO 

1. O texto inicia-se com uma afirmação: “Sábado, dia de balada para a maioria dos jovens de São Paulo”.
a) Que nova ideia é introduzida depois dessa afirmação?
Que o bairro da Vila Olímpia tem dezenas de casas noturnas, que os jovens frequentam.
b) Que expressão retoma “a maioria dos jovens”?
"...muitos deles."
2. O 2º parágrafo do texto inicia-se com a expressão “Como é o caso do estudante”. Qual é o papel dessa expressão nesse parágrafo? Indique a(s) resposta(s) correta(s).
a) (   ) Dar continuidade ao texto, retomando as palavras e ideias apresentadas anteriormente, como “jovem” e “balada”.
b) (   ) Introduzir um exemplo, dando progressão ao texto.
c) ( x  ) Mudar de assunto, introduzindo um exemplo.
3. No 3º parágrafo do texto:
a) Que expressão retoma as palavras Diego e Rafael?
"Os dois tentaram entrar na recém-inaugurada..."
b) Considerando-se os parágrafos anteriores, que informações novas há nesse parágrafo?
 Que ao sairem do clube, foram abordados por cinco jovens.
4. O 4º parágrafo faz uma descrição detalhada da agressão e se inicia com a frase “os motivos dessa violência gratuita e irracional não estão claros”.
a) Nessa frase, que expressão retoma as ideias mencionadas no parágrafo anterior?
"Os motivos..."
b) Observe o subtítulo do texto. Levante hipóteses: Por que o subtítulo menciona alguns dos fatos contido nesse parágrafo?
Para despertar interesse no leitor para ler a notícia completa.
                  
11.TEXTO:  UM MUNDO AFOGADO EM PAPEL
            Na sociedade digital, o homem gasta muito mais folhas do que antes dos computadores.

            Sobre a mesa do jovem executivo, um moderno computador, com processador mais que veloz de 1,1 megahertz e memória de 60 gigabites, capaz de armazenar todos os documentos que escreve e os dados que precisa consultar, enviar com presteza toda sua correspondência e ainda guardar as fotos das últimas férias. Pode-se supor que, com computador, internet, intranet, câmera digital e scanner a seu dispor, esse executivo não precise mais de armários de arquivo ou de gavetas. Mas pilhas de papel, livros e cartões sobre a mesa provam uma enorme contradição: o mundo digitalizado está se afogando em papel.
          Quando os primeiros PCs começaram a ser comercializados, em 1980, o consumo mundial de papel registrado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) era de 190 milhões de toneladas. Em 1990, já era de 240 milhões e, hoje, chega perto de 300 milhões de toneladas. Essa diferença pesa não só nos sacos de lixo, mas também ameaça áreas florestais, rios, solo e ar.
          [...] Segundo relatório de uma das maiores empresas de consultoria em papel e impressão da Europa, a Pira Internacional, a demanda por alguns tipos de papel pode aumentar em até 70% nos próximos oito anos. Entre os mais cotados para estrelas do consumo estão o papel escritório (aquele usado em impressoras comuns, em casa ou no trabalho) e os que servem para embalagens.
          Só há queda de demanda para o papel-jornal. As razões para essas previsões estão, não por coincidência, ligadas diretamente ao desenvolvimento das tecnologias digitais. “Se uma pessoa lia um jornal há cinco anos, hoje pode ler dez na internet e, certamente, vai imprimir páginas desses dez jornais”, comenta Luís Fernando Tedesco, gerente de marketing de suprimentos da Hewlett-Packard do Brasil.
          [...] Até hoje ninguém conseguiu criar um substituto tão prático quanto as fibras de papel de celulose diluídas em água e prensadas, receita criada pelo oficial da corte chinesa T’sai Lun, no ano 105 d.C. Os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, tentam há anos finalizar o projeto do e-paper. A ideia é criar um material semelhante à tela de cristal líquido, fino e flexível, que possa exibir imagens e textos gerados por um chip que receberia as informações e as “imprimiria”. Essas “folhas” poderiam ter seu conteúdo apagado e reescrito a qualquer hora. Mas isso ainda é ficção.
            Para os representantes da indústria de celulose e papel, o impacto do aumento de consumo previsto é contornável. “Hoje se busca a produtividade de florestas, a redução de perdas com o fechamento do ciclo da água e a diminuição de gastos com energia usando resíduos de madeira como combustível”, diz   Marcos  Vettorato, diretor industrial da Companhia Suzano de Papel e Celulose. Esses cuidados diminuem o impacto ambiental, salvaguardam o estoque de matérias-primas e reduzem custos. [...]
Dois lados da folha
          Diminuir custos pelo modo mais fácil também põe em risco as florestas. Com o crescimento da demanda, a pressão sobre florestas nativas aumenta, principalmente no Sudeste Asiático. É mais barato derrubar uma árvore de 100 anos de idade do que cultivar eucalipto ou pínus por 10 ou 15 anos. Mas no Brasil a adaptação do eucalipto ao clima e ao solo [...] faz do cultivo uma alternativa vantajosa.
        Se o e-paper ainda é uma promessa e o escritório sem papel, uma ficção, a saída para evitar problemas futuros é reduzir o consumo. Parece simplório lembrar que uma folha tem dois lados, mas se todos os 115 bilhões de folhas gastas anualmente em impressões caseiras (cerca de 199 milhões  de quilos de papel)fossem usadas e reusadas, 1,3 milhão de árvores não precisariam ser cortadas. São números para se pensar.
Cristina Charão. Galileu, São Paulo, n.130,maio 2002, p.48-50.
ESTUDO DO TEXTO
1) Que contradição parece existir na frase ”o mundo digitalizado está se afogando em papel”?
Na sociedade digital, o homem gasta muito mais folhas do que antes dos computadores.
2) Qual o problema que o texto apresenta?
O aumento excessivo de papéis ameaçando áreas florestais, rios, solo e ar.
 3) Que  exemplo   usado no texto para mostrar que os avanços tecnológicos não impediram o aumento do consumo de papel?
Que em 1990, já era de 240 milhões de toneladas de papéis, e hoje chega a ser até 300 milhões.
4) Escreva uma das causas responsáveis pelo aumento de consumo de alguns tipos de papéis?
Entre os mais cotados estão o papel escritório e os que servem para embalagens.
5) O que é o projeto e-paper?
É um projeto que querem desenvolver no futuro da humanidade.

6) Qual a principal vantagem desse projeto?
O projeto e-paper é um papel que ele dá para imprimir as coisas que ele quer usar e depois poderá apagar e continuar usando ele novamente.
7) Onde ele está sendo desenvolvido?
Os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, tentam há anos finalizar o projeto do e-paper.
8) Por que a segunda parte do texto recebeu o subtítulo Dois lados da folha?
Porque se todos os 115 bilhões de folhas gastas anualmente em impressões caseiras, fossem usadas e reusadas, 1,3 milhão de árvores não precisariam ser cortadas.

9) Afinal, porque é necessário reduzir o consumo de papel? Se isso não acontecer, quais as consequências futuras?
Para evitar  o uso excessivo,  é preciso vencer a desconfiança sobre o arquivamento digital. Sistemas de senhas de diferentes níveis de acesso e espelhamentos (backups) são estratégias para garantir que os documentos das empresas estão seguros, uma vez que os papéis do escritório são os mais usados. As consequências são a degradação do meio ambiente.


12. TEXTO: ANTES QUE ELAS CRESÇAM


         Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. [...] crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

         Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente. Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade, que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
        Onde é que andou crescendo aquela danadinha, que você não percebia? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal ou escola experimental?
        Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.  E você agora está ali na porta da discoteca esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins[...].
        Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então, com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração. [...]
        Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
        Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante das próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route< bonne route” como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha lhe oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
         Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância e os adolescentes cobertores naquele quarto cheio de colagens, posters e agendas coloridas de Pilot. Não, não as levamos suficientes vezes ao shopping, ao circo, ao teatro, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
         Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo nosso afeto.
         No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, disputa pela janela, pedidos de sorvetes e sanduíches, cantorias infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível largar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora dos pais nas montanhas terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
         O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos, e que não pode morrer conosco. Por isto os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
        Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
Affonso Romano de Sant’Anna. O homem que conheceu o amor. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

DIALOGANDO COM O TEXTO
A crônica que você leu apresenta uma profunda visão do autor sobre o crescimento dos(as) filhos(as) e os sentimentos dos pais.
1.Que frase no primeiro parágrafo sintetiza a visão do autor sobre esse aspecto? Assinale a alternativa correta.
a) (     )“Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.”
b) (  x )“[...] elas crescem sem pedir licença”.
c) (     )“[...] crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância”.
2. O que o cronista demonstra sentir ao empregar a frase que você indicou no item a: contentamento ou melancolia? Justifique sua resposta.
R- Melancolia, porque  tudo acontece muito rápido e os pais não se preparam para esta separação.

 3.O cronista inicia o texto com a frase: “Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos”.
Uma palavra nessa frase foi utilizada fora do uso comum pelo cronista. Qual é a palavra e o que ela significa na crônica?
R- Pais ficando órfaos dos filhos. Significa que os filhos crecem e vão seguir sua vida.

4.Que construção na frase informa que esse fato acontece aos poucos, à medida que o tempo passa?
R- Quando diz: "vão ficando".
                  
5.Algumas frases do texto fazem referência a diferentes período de crescimento do ser humano. A que fase de crescimento se refere cada um dos trechos a seguir?
a) “Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços[...]?”
Infância
“Saíram do banco de trás e passaram para o volante das próprias vidas”.
Adulta
6.De acordo com o cronista, caso o amor pelos filhos não se esgote, “O jeito é espera.”. Em que momento da vida os pais poderão esgotar esse amor?
R- Quando tiverem os netos, poderão gastar este amor estocado, não exercido nos próprios filhos, e que não pode morrer com eles.
     
13. A MISÉRIA É DE TODOS NÓS

     Como entender a resistência da miséria no Brasil, uma chaga social que remonta aos primórdios da colonização? No decorrer das últimas décadas, enquanto a miséria se mantinha mais ou menos com o mesmo tamanho, todos os indicadores sociais
brasileiros melhoraram.
     Há mais crianças em idade escolar frequentando aulas atualmente do que em qualquer outro período da nossa história. As taxas de analfabetismo e mortalidade infantil também são as menores desde que se passou a
registrá-las nacionalmente. O Brasil figura entre as dez nações de economia mais forte do mundo. No
campo diplomático, começa a exercitar seus músculos. Vem firmando uma incontestável liderança política regional na América Latina, ao mesmo tempo que atrai a simpatia do Terceiro Mundo por ter se tornado um forte oponente das injustas políticas de comércio dos países ricos. Apesar de todos esses avanços, a miséria resiste. Embora em algumas de suas ocorrências ,especialmente na zona rural, esteja confinada a bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais
bem posicionados na escala social, a miséria é onipresente. Nas grandes cidades, com aterrorizante frequência, ela atravessa o fosso social profundo e se manifesta de forma violenta. A mais assustadora dessas manifestações é a criminalidade, que, se não tem na pobreza sua única causa, certamente em razão dela se tornou mais disseminada e cruel. Explicar a resistência da pobreza extrema entre milhões de habitantes não é uma empreitada simples.
Veja, ed. 1735
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO

1. O título dado ao texto se justifica porque:
a)a miséria abrange grande parte de nossa população;
b)a miséria é culpa da classe dominante;
c)todos os governantes colaboraram para a miséria comum;
d)a miséria deveria ser preocupação de todos nós;
e)um mal tão intenso atinge indistintamente a todos.

2. A primeira pergunta - "Como entender a resistência da miséria no Brasil, uma chaga social que remonta aos primórdios da colonização?":
a)tem sua resposta dada no último parágrafo;
b)representa o tema central de todo o texto;
c)é só uma motivação para a leitura do texto;
d)é uma pergunta retórica, à qual não cabe resposta;
e)é uma das perguntas do texto que ficam sem resposta.

3. Após a leitura do texto, só NÃO se pode dizer da miséria no Brasil que ela:
a)é culpa dos governos recentes, apesar de seu trabalho produtivo em outras áreas;
 b)tem manifestações  violentas, como a criminalidade nas grandes cidades;
c)atinge milhões de habitantes, embora alguns deles não apareçam para a classe dominante;
d)é de difícil compreensão, já que sua presença não se coaduna com a de outros indicadores sociais;
e)tem razões históricas e se mantém em níveis estáveis nas últimas décadas.

4. O melhor resumo das sete primeiras linhas do texto é:
a)Entender a miséria no Brasil é impossível, já que todos os outros indicadores sociais melhoraram;
b)Desde os primórdios da colonização a miséria existe no Brasil e se mantém onipresente;
c)A miséria no Brasil tem fundo histórico e foi alimentada por governos incompetentes;
d)Embora os indicadores sociais mostrem progresso em muitas áreas, a miséria ainda atinge uma pequena parte de nosso povo;
e)Todos os indicadores sociais melhoraram exceto o indicador da miséria que leva à criminalidade.

5. As marcas de progresso em nosso país são dadas com apoio na quantidade, exceto:
a)frequência escolar; b)liderança diplomática;
c)mortalidade infantil;
d)analfabetismo;
e)desempenho econômico.

6. "No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos"; com essa frase, o jornalista quer dizer que o Brasil:
a)já está suficientemente forte para começar a exercer sua liderança na América Latina;
b)já mostra que é mais forte que seus países vizinhos;
c)está iniciando seu trabalho diplomático a fim de marcar presença no cenário exterior;
d)pretende mostrar ao mundo e aos países vizinhos que já é suficientemente forte para tornar-se líder;
e)ainda é inexperiente no trato com a política exterior.


7. Segundo o texto, "A miséria é onipresente" embora:
a)apareça algumas vezes nas grandes cidades;
b)se manifeste de formas distintas;
c)esteja escondida dos olhos de alguns;
d)seja combatida pelas autoridades;
e)se torne mais disseminada e cruel.

8. "...não é uma empreitada simples" equivale a dizer que é uma empreitada complexa; o item em que essa equivalência é feita de forma INCORRETA é:
a)não é uma preocupação geral = é uma preocupação superficial;
b)não é uma pessoa apática = é uma pessoa dinâmica;
c)não é uma questão vital = é uma questão desimportante;
d)não é um problema universal = é um problema particular.

14. TEXTO: VISITA

        Sobre a minha mesa, na redação do jornal, encontrei-o, numa tarde quente de verão. É um inseto que parece um aeroplano de quatro asas translúcidas e gosta de sobrevoar os açudes, os córregos e as poças de água. É um bicho do mato e não da cidade. Mas que fazia ali, sobre a minha mesa, em pleno coração da metrópole?
        Parecia morto, mas notei que movia nervosamente as estranhas e minúsculas mandíbulas. Estava morrendo de sede, talvez pudesse salvá-lo. Peguei-o pelas asas e levei-o até o banheiro. Depois de acomodá-lo a um canto da pia, molhei a mão e deixei que a água pingasse sobre a sua cabeça e suas asas. Permaneceu imóvel. É, não tem mais jeito — pensei comigo. Mas eis que ele se estremece todo e move a boca molhada. A água tinha escorrido toda, era preciso arranjar um meio de mantê-la ao seu alcance sem, contudo afogá-lo. A outra pia talvez desse mais jeito. Transferi-o para lá, acomodei-o e voltei para a redação.
        Mas a memória tomara outro rumo. Lá na minha terra, nosso grupo de meninos chamava esse bicho de macaquinho voador e era diversão nossa caçá-los, amarrá-los com uma linha e deixá-los voar acima de nossa cabeça. Lembrava também do açude, na fazenda, onde eles apareciam em formação de esquadrilha e pousavam na água escura. Mas que diabo fazia na avenida Rio Branco esse macaquinho voador? Teria ele voado do Coroatá até aqui, só para me encontrar? Seria ele uma estranha mensagem da natureza a este desertor?
         Voltei ao banheiro e em tempo de evitar que o servente o matasse. “Não faça isso com o coitado!” “Coitado nada, esse bicho deve causar doença.” Tomei-o da mão do homem e o pus de novo na pia. O homem ficou espantado e saiu, sem saber que laços de afeição e história me ligavam àquele estranho ser. Ajeitei-o, dei-lhe água e voltei ao trabalho. Mas o tempo urgia, textos, notícias, telefonemas, fui para casa sem me lembrar mais dele. 
GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris e outras crônicas.
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO

QUESTÃO 01 - Ao encontrar um inseto quase morto em sua mesa, o homem
a) colocou-o dentro de um pote de água.
b) escondeu-o para que ninguém o matasse.
c) pingou água sobre sua cabeça.
d) procurou por outros insetos no escritório.
e) não lhe deu muita importância.


QUESTÃO 02- O homem interessou-se pelo inseto porque
a) decidiu descansar do trabalho cansativo que realizava no jornal.
b) estranhou a presença de um inseto do mato em plena cidade.
c) percebeu que ele estava fraco e doente por falta de água.
d) resolveu salvar o animal para analisar o funcionamento do seu corpo.
e) era um inseto perigoso e contagioso.

QUESTÃO 03- A mudança na rotina do homem deu-se
a) à chegada do inseto na redação do jornal.
b) ao intenso calor daquela tarde de verão.
c) à monotonia do trabalho no escritório.
d) à transferência de local onde estava o inseto.
e) devido ao cansaço do dia.

QUESTÃO 04 - Em “Não faça isso com o coitado!”, a palavra sublinhada sugere sentimento de
a) maldade
b) crueldade
c) desprezo
d) esperança
e) afeição

QUESTÃO 05 - A presença do inseto na redação do jornal provocou no homem
a) curiosidade científica.
b) sensação de medo.
c) medo de pegar uma doença.
d) lembranças da infância.
e) preocupação com o próximo.

GABARITO
01 – C
02- B
03- A
04- E
05- D


15.TEXTO:A SOLUÇÃO


O Sr. Lobo encontrou o Sr. Cordeiro numa reunião do Rotary e se queixou de que a fábrica do Sr. Cordeiro estava poluindo o rio que passava pelas terras do Sr. Lobo, matando os peixes, espantando os pássaros e, ainda por cima, cheirando mal.
O Sr. Cordeiro argumentou que, em primeiro lugar, a fábrica não era sua, era de seu pai, e, em segundo lugar não podia fechá-la, pois isto agravaria o problema do desemprego na região, e o Sr. Lobo certamente não ia querer bandos de desempregados nas suas terras, pescando seu peixe, matando seus pássaros para assar e comer e ainda por cima cheirando mal.
- Instale equipamento antipoluente, insistiu o Sr. Lobo.
- Ora, meu caro, retrucou o Sr. Cordeiro, isso custa dinheiro, e para onde iria meu lucro? Você certamente não é contra o lucro, Sr. Lobo! disse o cordeiro, preocupado, examinando o Sr. Lobo atrás de algum sinal de socialismo latente.
- Não, não! disse o Sr. Lobo. Mas isto não pode continuar. É uma agressão à Natureza e, o que é mais grave, à minha Natureza. Se fosse à Natureza do vizinho…
- E se eu não parar? perguntou o Sr. Cordeiro.
- Então, respondeu o Sr. Lobo, mastigando um salgadinho com seus caninos reluzentes, eu serei obrigado a devorá-lo, meu caro.
Ao que o Sr. Cordeiro retrucou que havia uma solução:
- Por que o senhor não entra de sócio na fábrica Cordeiro e Filho?
-  Ótimo, disse o Sr. Lobo.
E desse dia em diante não houve mais poluição no rio que passava pelas terras do Sr. Lobo. Ou pelo menos, o Sr. Lobo nunca mais se queixou.
(Luís Fernando Veríssimo. Santinho. Porto Alegre, L&PM.)

Vocabulário:
Rotary – organização filantrópica internacional espalhada em mais de 150 países. Fundada nos Estados Unidos em 1905, seus associados, inicialmente se reuniam em suas próprias casas, num sistema de rotatividade, derivando daí o nome de Rotary.
Socialismo – doutrina que visa melhorar o bem comum pela transformação da sociedade.
Latente – oculto, disfarçado

QUESTÃO 01. Lendo o texto podemos concluir que:
a. (   ) O lobo age simplesmente como um animal selvagem.
b. (   ) O cordeiro é apenas um animal doméstico.
c. (   ) O lobo e o cordeiro agem, falam e raciocinam como se fossem pessoas. Ambos são animais personalizados na história.

QUESTÃO 02. Este texto nos sugere que:
a. (   ) os fracos sempre têm uma saída contra os poderosos.
b. (   ) o homem sempre procura seus interesses.
c. (   ) os mais fortes acabam tirando vantagens e levando a melhor sobre os mais fracos.

QUESTÃO 03. Qual a alternativa que relaciona, pela ordem, as
afirmações abaixo com os gêneros literários?
1. Há sucessividade de células dramáticas.
2. Narração sem conflito. Um simples relato.
3. É portador de um só conflito, uma unidade,
número reduzido de personagens.
4. Narrativa longa que nos dá pelo conflito das
personagens certa concepção da realidade.
a) romance – conto – crônica – novela.
b) conto - romance – crônica – novela.
c) novela – crônica – conto – romance.
d) novela – conto – crônica – romance.
e) conto – novela – crônica – romance.

QUESTÃO  04. O gênero dramático, entre outros aspectos, apresenta como característica essencial:
a) a presença de um narrador.
b) a estrutura dialógica.
c) o extravasamento lírico.
d) a musicalidade.
e) o descritivismo.

QUESTÃO 05. Quanto à flexão de grau, o substantivo que difere dos demais é:
a) viela.
b) vilarejo.
c) ratazana.
d) ruela.
e) sineta.

QUESTÃO 06. O substantivo composto que está indevidamente escrito no plural é:
a) mulas-sem-cabeça.
b) cavalos-vapor.
c) abaixos-assinados.
d) quebra-mares.
e) pães-de-ló.

GABARITO
01 –C
02- B
03- C
04- B
05- C
06- C



16.TEXTO: O PORTUGUÊS.COM
A comunicação expressa das salas de bate-papo e dos blogs está mexendo com o idioma em casa e nas escolas.
Isso é bom?

      A vida linguística do futuro está por um fio? Há quem suspeite que sim e culpe o pragmatismo dos usuários da internet por sua agonia. Na ânsia de se comunicarem num curto espaço de tempo, eles abreviam palavras ao limite do irreconhecível, traduzem sentimentos por ícones e renunciam às mais elementares regras da gramática. O resultado dessa anarquia comunicativa divide opiniões.
      Linguista respeitado, o inglês David Crystal, autor do livro A Linguagem e a Internet, chama esses defensores da sintaxe de alarmistas e não prevê um futuro desastroso para a gramática por causa da rede.    Lembra que a invenção do telefone provocou a mesma desconfiança dos estudiosos, preocupados com o risco de uma afasia epidêmica entre os usuários. Por incorporarem uma linguagem cheia de “hã, hã” e “alôs”, eles corriam o risco de perder a capacidade de expressão e a sociabilidade. Não foi o que ocorreu, lembra Crystal. Ele faz uma previsão otimista: o jargão dos chats (salas de bate-papo) e dos blogs (diários que se tornam públicos) pode estimular outras formas de literatura e desenvolver o autoconhecimento do jovem, como percebeu ao analisar o conteúdo de blogs ingleses.
      O outro lado da história é contado por psiquiatras. Pais de adolescentes com distúrbios de linguagem estão levando os filhos ao consultório e recebendo um diagnóstico, no mínimo, preocupante: suspeita-se de uma onda de “dislexia discursiva”. O jovem, que até então não apresentava nenhum problema na escola, começa a ter uma avaliação catastrófica dos professores.
      Perde a capacidade de entender o que lê fora do ambiente da rede. Sem entender, não tem condições de julgar, e sem posição crítica fica incapacitado de reflexões profundas sobre a realidade que o cerca. Os pais imaginam que o filho está mentalmente perturbado ou tomando drogas, mas ele apenas renunciou a seu potencial expressivo para adotar a linguagem estereotipada da internet.
      Adolescentes viraram suas vítimas preferenciais.
      Os jovens erguem uma barreira contra seus pais, que não compreendem uma só palavra das mensagens trocadas com os coleguinhas, mas ficam igualmente isolados, incapacitados de escrever segundo os códigos linguísticos formais. O alerta é do médico e neurocientista paulista Cláudio Guimarães dos Santos. “Essa simplificação da linguagem pelos adolescentes não pode ser entendida como alternativa, porque esse código acaba tornando o lugar da escritura convencional”, analisa. “Ninguém escreve um tratado de física com carinhas e usar o código da rede sem dominar o formal gera erros de percepção.” O psiquiatra refere-se aos ícones conhecidos como emoticom, que os internautas usam no correio eletrônico e em seus weblogs para comunicar aos interlocutores que estão tristes, alegres, entediados, eufóricos ou simplesmente indiferentes.
      Os traços sintéticos dessas “carinhas” e a linguagem telegráfica dos blogueiros não são recursos meramente funcionais, adverte o médico. Eles revelam que esses jovens consideram supérflua a escritura formal. “Ao contrário da fala, a comunicação escrita exige aprendizado e ninguém aprende se não tiver interesse genuíno, o que leva o adolescente a optar pelo código anárquico da rede”. O professor de língua portuguesa David Fazzolari, do Colégio Nossa Senhora das Graças, em São Paulo, discorda, argumentando que a curta existência da internet não justifica previsões tão pessimistas. A linguagem usada nas salas de bate-papo e nos blogs, diz, é um simulacro da comunicação oral, dinâmica por natureza.
      “As abreviações, os signos visuais e a ausência de acentuação representam apenas um jeito de se adaptar ao teclado”, observa o professor. Ele não acredita que a norma culta será contaminada pela simplificação. “Os adolescentes sabem que ela deve ficar restrita ao ambiente da rede e não tenho notado um empobrecimento nos textos dos alunos por conta da adoção do código da internet”.
      Mas as redações poderiam ser melhores se a leitura fosse um hábito familiar, admite. O estudante Leandro Rodrigues Gonçalves, de 17 anos, mantém seu blog como um diário para “criticar” religiosos, “polemizar”. Como outros blogueiros, começou a usar “eh” no lugar de “é” e trocar “não” por “naum” até pensar no vestibular e concluir que era melhor render-se à sintaxe convencional. “A rede me estimulou a ler e a escrever poesia”, conta. Já Victor Zellmeister, de 15 anos, acha que a internet não aprimorou seu desempenho. Assim como o colega Gustavo Simon, garante não usar a “língua” da internet na aula. Colega dos dois, Rafael Mielnik não confunde rede com escola. “Só uso a net para inutilidades”.
      Educadores não identificam perigo nessa linguagem eletrônica. “Costumamos ver com desconfiança aquilo que foge ao nosso controle, mas não acho que a rede empobrece a língua”, afirma a orientadora pedagógica Elione Andrade Câmara. Com ela concorda David Crystal, que costuma rir quando alguém diz que a nova tecnologia está sufocando a gramática e matando a cultura: “Sinceramente, acho até que a literatura possa ficar mais rica ao incorporar expressões de blogueiros do meio rural, produzindo outros gêneros e abrindo uma dimensão diversa para a escrita”.
      Assim seja.

(FRANZOIA, Ana Paula e FILHO, Antônio Gonçalves. In: Revista Época. Pág. 54-55, 09/09/2002).

QUESTÃO 01 - “A vida linguística do futuro está por um fio?” A respeito deste questionamento, o texto afirma que:
A ( ) Está, e é por exclusiva culpa do pragmatismo de todos os usuários da internet, por abreviarem palavras ao limite do irreconhecível.
B ( ) Para David Crystal, respeitado linguista, a invenção do telefone provocou a mesma desconfiança, no sentido de seus usuários perderem a capacidade de expressão oral e escrita.
C ( ) Os psiquiatras suspeitam de uma onda de “dislexia discursiva” que acometeu os adolescentes, os quais perderam não só a capacidade de julgar, mas também de conviver fora da rede.
D ( ) Os pais imaginam que o filho esteja mentalmente perturbado ou tomando drogas, porque a internet considera os adolescentes suas vítimas preferenciais.
E ( ) Pode estimular outras formas de literatura e desenvolvimento do autoconhecimento do jovem que faz uso de chats e blogs.

QUESTÃO 02 - “Pais de adolescentes com distúrbios de linguagem estão levando seus filhos ao consultório”.
O fragmento acima é ambíguo, por apresentar duplo sentido. Tal ambiguidade decorre do fato de que:
A ( ) O sujeito é simples, apresentando dois adjuntos adnominais introduzidos por preposições diferentes, porém de mesmo valor semântico.
B ( ) Há dois adjuntos adnominais, um dos quais pode estar se referindo tanto ao outro adjunto adnominal quanto ao restante do segmento destacado.
C ( ) O sujeito é simples e plural, acarretando, por ter dois adjuntos adnominais também no plural, dupla possibilidade de entendimento.
D ( ) As preposições que introduzem os adjuntos adnominais são diferentes e introduzem noções diferentes, ainda que o sujeito seja composto.
E ( ) Um adjunto adnominal refere-se a “distúrbios” e o outro, à “linguagem”.

QUESTÃO 03 - “Na ânsia de se comunicarem num curto espaço de tempo, eles abreviam palavras ao limite do irreconhecível.” O termo destacado acima, por referir-se a outro mencionado anteriormente
(“usuários da internet”) tem função anafórica. Assinale a opção na qual ocorre um termo com função textual diferente:

A ( ) ”O jovem, que até então não apresentava nenhum problema na escola...”
B ( ) “Perde a capacidade de entender o que lê fora do ambiente da rede.”
C ( ) “Os adolescentes sabem que ela deve ficar restrita ao ambiente da rede...”
D ( ) “Há quem suspeite que sim e culpe o pragmatismo dos usuários da internet por sua agonia”.
E ( ) “... produzindo outros gêneros e abrindo uma dimensão diversa para a escrita”.

QUESTÃO 04 - Assinale a opção em que o termo destacado exerce função sintática diferente dos demais:
A ( ) “... chama esses defensores da sintaxe de alarmistas...”
B ( ) “Lembra que a invenção do telefone provocou...”
C ( ) “... a mesma desconfiança dos estudiosos...”
D ( ) “Essa simplificação da linguagem pelos adolescentes não pode ser entendida...”
E ( ) “... um empobrecimento nos textos dos alunos por conta da adoção do código da internet.”

QUESTÃO  05 -Examinando a estrofe de Zé Kety, analise o tipo de pronome predominante.
“Uns com tanto
Outros tantos com algum
Mas a maioria
Sem nenhum.”
Pronome pessoal de tratamento
Pronome do caso oblíquo
Pronome indefinido
Pronome demonstrativo

QUESTÃO 06-Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:
                    a) Só quero meio quilo.
                    b) Achei-o meio triste.
                    c) Descobri o meio de acertar.
                    d) Parou no meio da rua.
                    e) Comprou um metro e meio.

QUESTÃO 07-  Ele ficou em casa. A palavra em é:
                   a) conjunção
                   b) pronome indefinido
                   c) artigo definido
                  d) advérbio de lugar
                  e) preposição
GABARITO
E  
E
C
C
B
E

17.


Questão 01  
A passagem abaixo é extraída do capítulo “Das negativas”, de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: – Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 27. ed. São Paulo: Ática,1999. p. 176.
Neste capítulo, Brás Cubas faz uma espécie de balanço de sua existência, em que
a) demonstra tristeza por não ter conseguido um saldo positivo em sua vida.
b) lamenta suas dificuldades e o fato de não ter tido sucesso em sua vida.
c) orgulha-se por não ter deixado filhos para herdarem a infelicidade humana.
d) desculpa-se pelo fato de não ter suportado o sofrimento como seus amigos.

Questão 02
Sobre o Naturalismo literário, é correto afirmar:
I. Ao aprofundar aspectos realistas da literatura, cientificiza um discurso, assumido no plano estético pela ficção, induzindo o leitor a buscar não somente entretenimento em seus romances, mas também a problematização de estruturas sociais e de aspectos psicológicos das personagens.
II. O romance de tese, a exemplo de O cortiço, é o melhor projeto para o naturalista, uma vez que este só é considerado naturalista na medida em que sua produção literária se realiza unicamente no chamado romance de tese.
III. O realce de traços físicos e psicológicos nos romances de tese ratifica a ideia de o naturalismo, em suas narrativas, acentuar as tensões sociais e de demandas coletivas como proposta a ser problematizada a partir do elemento com o qual o leitor estabelece um grau de intimidade ou identificação, a saber, a personagem de ficção.

a) somente II e III estão corretas
b) somente I está correta
c) somente I e II estão corretas
d) somente I e III estão corretas
e) as três proposições estão corretas


Leia o poema abaixo para responder os exercícios A e B:

18.Desencanto
(Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento... e desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.

1.A que gênero pertence Desencanto, de Manuel Bandeira? Porque se pode dizer que o poema é representante desse gênero?
O poema pertence ao genero lírico, pois apresenta um eu lírico expressando  suas emocões, ideias, há a subjetividade como mostram os verbos e pronomes em primeira pessoa.

2.Você diria que a poesia de Manoel Bandeira é objetiva ou subjetiva? Justifique.
É uma poesia  subjetiva. Há a manifestacão do eu lírico com verbos e pronomes em primeira pessoa. 

3.“Na serra de Ibiapaba, numa de suas encostas mais altas, encontrei um jegue. Estava voltado para o lado e me pareceu que descortinava o panorama. Mas quando me aproximei, percebi que era cego.” (Oswaldo França Júnior, em As Laranjas Iguais).
O fragmento é representante do gênero:
Lírico
Épico
Narrativo
Dramático
Nenhuma das opções acima.

19.Neologismo 
 Manuel Bandeira
Beijo pouco, falo menos ainda
Mas, invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar
Intransitivo;
Teadoro, Teodora.

Exercícios
1- Segundo o Autor, os meios para se manifestar ternura são:
    a) (   ) falar muito      b) (   ) beijar muito    c)(   )inventar palavras  d)(  ) calar-se

2- Que palavra o Autor inventou para manifestar ternura:
    a) (  ) intransitivo   b)(   ) cotidiana  c) (   )teadorar  d) (   ) funda

3- O poema chama-se Neologismo por que:
    a)  (   ) dá ideia de coisa ultrapassada;
    b)  (   ) encerra uma mensagem otimista;
    c)  (   ) apresenta características de versos soltos;
    d)  (   ) introduz palavras novas na língua.

     4- Os verbos na sua opinião, estão no modo:
     a) (   ) imperativo;   b) (   ) indicativo;    c)  (    ) subjuntivo.

5- O Autor inventa palavras para traduzir ternura:
     a) (   ) passageiro e fugar;
     b) (   ) leviana e interesseira;
     c) (   ) profunda e de todos os dias.

6- Neologismo é:
    a) (  ) o uso de qualquer recurso da língua pertence ao seu passado morto;
    b) (  ) uso de palavras que infringem as regras atuais de grafia;
    c) (  ) qualquer criação atual, dentro da língua, podendo ofender a qualquer parte da gramática.

20.LITERATURA   - BARROCO
Texto para as questões 01,02,03 e 04

“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.”

01. A ideia central do texto é:
a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.


02. A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.

03. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe?
a)estrutura bimembre
b)estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva
c)disposição antitética da frase
d)concepção teocênctrica
e)cultismo

04. No texto predominaram as imagens:
a)táteis
b)olfativas
c)auditivas
d)visuais
e)gustativas

05. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto:
a) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.
b) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.
c) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.
d) A arte barroca é vinculada à Contrarreforma.
e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas.


21.TEXTO: UM AMOR, UMA CABANA


     Nossos pais diziam que para nos tornarmos seres completos era preciso escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Meu pai, que era engenheiro, acrescentava: construir uma casa. Escrevi livros, até demais, tenho um filho e plantei uma árvore, no jardim da casa onde cresci, uma muda de pau-rosa, ou flor-do-paraíso, que havia sido esquecida ao lado de uma cova estreita e funda, uma muda frágil, com poucas folhas, mais alta do que a menininha que a salvou. A muda cresceu, transformou-se em um majestoso flamboyant, coberto de flores vermelhas.

       Mas nunca construí uma casa. Sonho com isso. Gostaria de construir uma casa de taipa, com as próprias mãos, amassar o barro, atirar o barro nos enxaiméis e fasquias de madeira. Não se trata de uma idiossincrasia, nem de um gesto poético, muito menos uma visão religiosa. A taipa é um material apaixonante. Tem uma nobreza histórica. As reforçadas casas e igrejas coloniais brasileiras foram feitas de taipa de pilão, há ainda hoje na Alemanha casas em taipa construídas no século 13, a própria muralha da China, símbolo de solidez, é taipa. A taipa tem mais de 9.000 anos, serviu a construções no Egito, na Mesopotâmia.
       Um amigo meu, arquiteto, projetou e construiu belíssimas casas de taipa. Ele se chama Cydno Silveira e o conheci em Brasília, poucos anos depois de plantar meu flamboyant. Cydno estudava na UnB quando, observando residências rurais, surpreendeu-se com a quantidade de casas de taipa, feitas de maneira intuitiva, quase como abelhas fazem suas colmeias. Nunca tinha ouvido falar naquilo em seu curso, e percebeu o quanto era elitista o ensino de arquitetura. Fotografou as casas de taipa todas que encontrava. Ele se formou, passou a trabalhar com as técnicas industriais, como concreto armado, mas nunca esqueceu a taipa. Deu-se conta de que não sabia construir da maneira mais rudimentar e resolveu aprender. Estudou durante anos a técnica. Descobriu taipas diversas, como a de pedra, usada no Piauí, a de madeira com bolas de barro, vista no Maranhão, a taipa de carnaúba, a taipa mista de moldura de tijolos, a taipa feita com sobras de madeira e sucata. Descobriu a maleabilidade incrível do barro, novas estruturas, novos dimensionamentos do espaço e imensas possibilidades de melhoria na técnica tradicional. Estudou a combinação com elementos da cultura industrial, mas sem descaracterizar a antiga construção de estuque.
        A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali, a terra e as árvores e tem uma grande contribuição a dar a um país que não oferece moradia para todos, como o Brasil. O projeto de casas populares, que Cydno afinal desenvolveu, ensina o homem a construir sua própria casa e a cuidar dela. Tem o sentido de manter viva a sabedoria popular da taipa. Está sendo feita uma experiência na cidade de Bayeux. Paraíba, para treinamento de pessoas no projeto, construção, melhoria e restauração de edificações em taipa de pau a pique. Não recebendo a casa pronta, mas construindo-a, o dono toma por ela mais amor. Se for privado de sua terra, ele saberá construir uma nova habitação. O saber lhe pode servir como meio de vida, e a profissão tem um nome: taipeiro.
      A casa de taipa é uma grande alternativa para a habitação no meio rural e nas periferias urbanas. Típica das populações mais pobres, é uma forma de independência, uma estratégia milenar de abrigo, preservada nos sertões brasileiros especialmente pelas mulheres. O sistema de autoconstrução elimina a aquisição de material, o transporte, o crédito, elimina o BNH e o processo industrial de construção, permite o mutirão e, principalmente, educa. É rápida a construção, usa-se mão de obra não qualificada, e é um instrumento para a posse imediata da terra. Permite uma construção tanto de caráter provisório quanto perene e a técnica pode ser levada a lugares onde não chega o material industrializado. Uma simples caiação evita a umidade e basta fechar as frestas onde o barbeiro gosta de fazer seu ninho. Integra a família, as mulheres e as crianças trabalham na construção e integra o grupo na sociedade quando em regime de mutirão. Apesar de tudo isso é completamente ignorada pelos meios administrativos, considerada subabitação, não há nem mesmo linha de crédito nos órgãos do governo para casa de taipa. Marcos Freire, antes de morrer, estava tratando de corrigir esse lapso. Nas esferas “civilizadas” há dificuldade em compreender a taipa. Não há legislação nem a favor nem contra. Quando da construção de Carajás, Cydno realizou um projeto de moradias em taipa de pau a pique para os empregados, utilizando o fartíssimo material do lugar. Seu projeto não foi aceito e os tijolos, o cimento e o ferro viajaram de avião até Carajás.
     Na taipa não há desperdício de material e nem agressão ecológica, a madeira usada nas estruturas é em quantidade cinco vezes menor do que a necessária na queima de tijolos para uma parede das mesmas dimensões [..].
     O Cydno vai projetar a minha casa de taipa. Vou querer na casa uma lareira, um fogão a lenha e uma vassoura daquelas de gravetos, Uma árvore frondosa por perto, pode ser flamboyant, um gramado na sombra para piquenique, contemplação ou leitura. Também dizia meu pai, nas coisas mais simples está o sentido da vida.
Ana Miranda.

DIALOGANDO COM O TEXTO
No texto, a autora aborda uma questão social: a falta de moradia de uma grande parcela da população brasileira. E, diante dessa questão, defende um ponto de vista.
O que ela defende como solução dos problemas de habitação para a área rural e a periferia urbana?

1.Identifique  o principal argumento que comprova este ponto de vista.
a) (    ) “A taipa é um material apaixonante. Tem uma nobreza histórica”.
b) ( x )“A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali,a terra e as árvores[...]”
c) (    )A taipa tem mais de 9.000 anos, serviu a construções no Egito, na Mesopotâmia.”

2.Marque com (x) a alternativa que traduz o que predomina no texto
a) ( x )Uma análise crítica das escolhas de material para a construção de casas populares.
b) (   )Uma visão poética e expressiva em relação às casas de taipa.
c) (   )Lembranças e sentimentos da autora.
d) (   )Levante hipóteses.

3.Por que a taipa, um material resistente ao tempo, maleável, de baixo custo e que tem baixo consumo de recursos naturais, não é utilizada nas construções de casas populares e em geral?
R - Porque é completamente ignorada pelos meios administrativos, considerada subsbitaçao não há nem mesmo linha de crédito nos órgãos do governo para esta casa. Não há legislação nem a favor e nem contra.
 
4.Que vantagens há em se ensinar a população a construir suas próprias casas?
R- É rápida a construção, usa-se mão de obra não qualificada, e é um instrumento para a posse imediata. Integra a família, as mulheres e as crianças trabalham na construção e integra o grupo na sociedade quando em regime de mutirão.
 5.Segundo a autora, “Nas esferas ´civilizadas´ há dificuldade em compreender a taipa”. O uso das aspas na palavra civilizadas dá um tom de ironia, ou seja, sugere uma ideia exatamente contrária. Qual é essa ideia?
_________________________________________________________________________________
6.A autora cita que seu pai costumava dizer que ”para nos tornarmos seres completos era preciso escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho” e “construir uma casa”. Que princípios ou valores são destacados a partir dessas ações?
R- Essa frase tem um significado muito profundo, que nos leva à nossa origem, nos religando à energia divina e nos ensinando um caminho de volta ao nosso Pai.
A árvore está relacionada a criação do mundo e que cada um de nós tem que plantar a sua semente espiritual.
Ter um filho - nada mais é do que compartilhar o seu conhecimento. É ter um discípulo.
Escrever um livro - significa fazer da sua história um exemplo de superação. 


22.Os sonhos dos adolescentes

Se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou vinte anos atrás, resumiria assim: eles sonham pequeno. É curioso, pois, pelo exemplo de pais, parentes e vizinhos, nossos jovens sabem que sua origem não fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar onde nasceram, sua profissão não tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis.

Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje têm devaneios sobre seu futuro muito parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia-a-dia que, para nós, adultos, não é sonho algum, mas o resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações. Eles são "razoáveis": seu sonho é um ajuste entre suas aspirações heroico-ecológicas e as "necessidades" concretas (segurança do emprego, plano de saúde e aposentadoria). Alguém dirá: melhor lidar com adolescentes tranquilos do que com rebeldes sem causa, não é? Pode ser, mas, seja qual for a qualidade dos professores, a escola desperta interesse quando carrega consigo uma promessa de futuro: estudem para ter uma vida mais próxima de seus sonhos. É bom que a escola não responda apenas à "dura realidade" do mercado de
trabalho, mas também (talvez, sobretudo) aos devaneios de seus estudantes; sem isso, qual seria sua promessa? "Estude para se conformar"? Consequência: a escola é sempre desinteressante para quem pára de sonhar.

É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis, mas como um caleidoscópio para alegrar os olhos, um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem, enquanto, comportadamente, aspiramos a um churrasco no domingo e a uma cerveja com os amigos. É também possível (sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu nariz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos.
Pode ser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossas falas, as aspirações das quais desistimos, eles se deparem apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem os adolescentes que merece.


INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS E EXERCÍCIOS

1. O autor considera que falta aos jovens de hoje:

(A) um mínimo de discernimento entre o que é real e o
que é puro devaneio.
(B) uma confiança maior nas promessas de futuro
acenadas pelo mercado de trabalho.
(C) a inspiração para viver que lhes oferecem os que
descartaram as idealizações.
(D) a aspiração de perseguir a realização dos sonhos
pessoais mais arrojados.
(E) a disposição de se tornarem capazes de usufruir a
estabilidade profissional.

2. Atente para as seguintes afirmações:

I. As múltiplas ficções e informações que circulam no
mundo de hoje impedem que os jovens formulem
seus projetos levando em conta um parâmetro mais
realista.
II. As escolas deveriam ser mais consequentes diante
da dura realidade do mercado de trabalho e
estimular os jovens a serem mais razoáveis em
seus sonhos.
III. As ficções que proliferam em nossas telas são
assimiladas como divertimento inconsequente, e
não como sinalização inspiradora de uma pluralidade
de vidas possíveis.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em:

(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II, apenas.
(E) I, apenas.

3. No segundo parágrafo, ao estabelecer uma relação entre
os jovens e os adultos de hoje, o autor faz ver que:

(A) os sonhos continuam sendo os mesmos, para uns e
para outros.
(B) os adultos, quando jovens, eram mais conservadores
que os jovens de hoje.
(C) os jovens esperam muito mais do que os adultos já
obtiveram.
(D) o patamar de realização de vida atingido pelos
adultos tornou-se uma meta para os jovens.
(E) a resignação dos adultos constitui a razão de frustração
dos jovens.

 4. A expressão hipótese anterior, que surge entre parênteses,
faz referência à seguinte passagem do texto:

(A) É possível que (...) as ficções tenham perdido sua
função essencial.
(B) Consequência: a escola é sempre desinteressante
para quem pára de sonhar.
(C) Pode ser que (...) eles se deparem apenas com
versões melhoradas da mesma vida (...)
(D) Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem
seu futuro depende dos sonhos aos quais nós
renunciamos.
(E) (...) seja qual for a qualidade dos professores, a
escola desperta interesse quando carrega consigo
uma promessa de futuro (...).

5. Certa impropriedade que se verifica no uso da expressão
nas entrelinhas das nossas falas poderia ser evitada, sem
prejuízo para o sentido pretendido, caso o autor a tivesse
substituído por:

(A) entre os parênteses das nossas conversas.
(B) no que não se explicita em nossas palavras.
(C) nas assumidas reticências do nosso estilo.
(D) na falta de ênfase de nossas declarações.
(E) no que não se sublinha em nossos discursos.

23.     COMO  O  REI  DE  UM  PAÍS  CHUVOSO

Um espectro(aparição ilusória) ronda o mundo atual: o espectro do tédio. Ele se manifesta de diversas maneiras. Algumas de suas vítimas invadem o “shopping center” e, empunhando um cartão de crédito, comprometem o futuro do marido ou da mulher e dos filhos. A maioria opta por ficar horas diante da TV, assistindo a “reality shows”, os quais, por razões que me escapam, tornam interessante para seu público a vida comum de estranhos, ou seja, algo idêntico à própria rotina considerada vazia, claustrofóbica.

O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos naturalmente imunizadas a seu contágio. Crianças sempre foram capazes de se divertir umas com as outras ou até sozinhas. Dotadas de cérebros que, como esponjas, tudo absorvem e de um ambiente, qualquer um, no qual tudo é novo, tudo é infinito, nunca lhes faltam informação e dados a processar. Elas não precisam ser entretidas pelos adultos, pois o que quer que estes façam ou deixem de fazer lhes desperta, por definição, a curiosidade natural e aguça seus instintos analíticos. E, todavia, os pais se veem cada vez mais compelidos a inventar maneiras de distrair seus filhos durante as horas ociosas destes, um conceito que, na minha infância, não existia. É a ideia de que, se a família os ocupar com atividades, os filhos terão mais facilidades na vida.

Sendo assim, os pais, simplesmente, não deixam os filhos pararem. Se o mal em si nada tem de original e, ao que tudo indica, surgiu, assim como o medo, o nojo e a raiva, junto com nossa espécie ou, quem sabe, antes, também é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das precondições necessárias para sofrer dele. Falamos do homem cujas refeições da semana dependiam do que conseguiria caçar na segunda-feira, antes de, na terça, estar fraco o bastante para se converter em caça e de uma mulher que, de sol a sol, trabalhava com a enxada ou o pilão. Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, que pressupõe ócio abundante e sistemático para se manifestar em grande escala. Ninguém lhe oferecia facilidades. Por isso é que, até onde a memória coletiva alcança, o problema quase sempre se restringia ao topo da pirâmide social, a reis, nobres, magnatas, aos membros privilegiados de sociedades que, organizadas e avançadas, transformavam a faina abusiva da maioria no luxo de pouquíssimos eleitos.

O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que Baudelaire, para, há século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país chuvoso, como se experimentar delicadeza tão refinada elevasse socialmente quem não passava de “aristocrata de espírito”.

Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, previamente, eram raridades reservadas a uma elite mínima. E, se houve um produto que se difundiu com sucesso notável pelos mais inesperados andares e cantos do edifício social, esse produto foi o tédio. Nem se requer uma fartura de Primeiro Mundo para se chegar à sua massificação. Basta, a rigor, que à satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento de outras possibilidades (como, inclusive, a da fuga ou da emigração), para que o tempo ocioso ou inútil se encarregue do resto. Foi assim que, após as emoções fornecidas por Stalin e Hitler, os países socialistas se revelaram exímios fabricantes de tédio, único bem em cuja produção competiram à altura com seus rivais capitalistas. O tédio não é piada, nem um problema menor. Ele é central. Se não existisse o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas. Seja como for, nem esta, nem soluções tradicionais (a alta cultura, a religião organizada) resolverão seus impasses. Que fazer com essa novidade histórica, as massas de crianças e jovens perpetuamente desempregados, funcionários, gente aposentada e cidadãos em geral ameaçados não pela fome, guerra ou epidemias, mas pelo tédio, algo que ainda ontem afetava apenas alguns monarcas?
ASCHER, Nélson, Folha de S. Paulo, 9 abr. 2007, Ilustrada. (Texto adaptado)


INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1)  O título do texto contém, sobretudo,

A) uma alusão à antítese entre a facilidade de provimento das necessidades materiais
e o vazio decorrente do ócio e da monotonia pela ausência de motivos por que
lutar.
B) uma comparação que trata da dificuldade de convivência entre a opulência do
poder e a manipulação decorrente do consumismo exacerbado.
C) uma metáfora relacionada à coabitação da angústia existencial contemporânea
com a busca de sentidos para a vida, especialmente entre os membros da
aristocracia.
D) uma referência ao conflito advindo da solidão do poder, especialmente no que se
refere ao desânimo oriundo da ausência de perspectivas para a vida em sociedade.

2) O texto NÃO menciona como causa para a presença do tédio na sociedade moderna

A) a ausência de atividades físicas compulsórias relacionadas com a sobrevivência.
B) a facilidade de acesso aos bens que proveem as necessidades físicas primárias.
C) a limitação da mobilidade física e privação de certas liberdades.
D) a proliferação de empresas e de espaços de lazer e de consumo.

3) A alternativa em que o termo destacado NÃO está corretamente explicado entre
parênteses é:

A) “[...] aos membros privilegiados de sociedades que [...] transformavam a faina(trabalho prolongado)abusiva da maioria no luxo de pouquíssimos eleitos.”  (A CARÊNCIA,
A MISÉRIA)
B) “Basta [...] que à satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento
de outras possibilidades [...]”  (A RESTRIÇÃO, A SUPRESSÃO)
C) “[...] os países socialistas se revelaram exímios fabricantes do tédio[...]”
 (EMINENTES, PERFEITOS)
D) “Um espectro ronda o mundo atual: o espectro do tédio.” (UM
FANTASMA, UMA AMEAÇA)

4) “O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos
naturalmente imunizadas a seu contágio.” (linhas 8-9)
A expressão destacada pode ser substituída sem alteração significativa do sentido por:

A) a uma ou duas gerações.
B) acerca de duas gerações.
C) há uma ou duas gerações.
D) por uma ou duas gerações.

5) “Se não existisse o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.”
Alterando-se os tempos verbais, haverá erro de coesão em:

A) Não existindo o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
B) Se não existe o tédio, não terá havido, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
C) Se não existir o tédio, não vai haver, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
D) Se não tivesse existido o tédio, não teria havido, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.


6) A supressão da vírgula implica alteração do sentido em:

A) “Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, previamente,
eram raridades reservadas a uma elite mínima.”
Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que previamente eram
raridades reservadas a uma elite mínima.
B) “Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, que pressupõe ócio abundante e
sistemático [...]”
Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio que pressupõe ócio abundante e
sistemático [...]
C) “O tédio não é piada, nem um problema menor.”
O tédio não é piada nem um problema menor.
D) “[...] também é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das
precondições necessárias [...]”
[...] também é verdade que por milênios somente uma minoria dispunha das
precondições necessárias [...]

GABARITO

Questão 01: B
Questão 02: D
Questão 03: A
Questão 04: C
Questão 05: CQuestão 06: 

34 comentários:

  1. Respostas
    1. Parabéns pelo trabalho! gostaria que me enviasse o gabarito dos textos 8 e 9. Desde já obrigada.

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  2. Ola boa tarde . gostaria que me enviasse o gabarito do texto CONTO DE FADAS PARA MULHERES MODERNAS ... Se poder manda para meu email eu agradeço ... email : Giulia.silva617@gmail.com .....
    Obrigada

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    1. Como solicitado, aqui está o gabarito das questões sobre interpretação de texto e intertextualidade!
      1. Não, pois a princesa preza por sua independência e não tem a ideia de felicidade relacionada à figura masculina (como costuma acontecer nos contos de fada).
      2. Ela terminaria com o príncipe e “viveriam felizes para sempre”.
      3. Construir um lar feliz no qual ela viveria em função de cuidar dele e da família.
      4. Ser independente. (Essa resposta é pessoal,portanto existem diversas respostas certas).
      5. Independente, cheia de auto-estima. As características da princesa condizem com sua atitude final, pois ela preza por sua liberdade.
      6. Paródia, pois perverte a ideia do texto original. A ideia principal do texto de Veríssimo é completamente diferente da ideia do clássico conto de fadas.
      7. Sim, pois a princesa tem uma atitude das mulheres do nosso século ao prezar por sua liberdade.
      8. C

      Claro que todas as respostas podem ter variações, porém devem respeitar uma certa lógica.
      Espero ter ajudado.

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  3. Olá, muito bom o material. É possível me enviar o gabarito?
    dileuzaletras@hotmail.com

    Obrigada.

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  4. Olá, muito bom o material. É possível me enviar o gabarito?
    dileuzaletras@hotmail.com

    Obrigada.

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  5. Olá, muito bom o material. É possível me enviar o gabarito? amanda-k9@hotmail.com
    Obrigada

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  6. Boa-tarde.Ótimas atividades,poderia enviar o gabarito?esther_conche@hotmail.com. Desde já,agradeço a ajuda.

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  7. Boa-tarde.Ótimas atividades,poderia enviar o gabarito?esther_conche@hotmail.com. Desde já,agradeço a ajuda.

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  8. Olá, excelente material. Muito bom poder encontrar textos com questões subjetivas. Poderia por favor enviar-me o gabarito. Desde já agradeço. elisangella2008ipu@hotmail.com

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  9. Olá, excelente material. Muito bom poder encontrar textos com questões subjetivas. Poderia por favor enviar-me o gabarito. Desde já agradeço. elisangella2008ipu@hotmail.com

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  10. Olá, excelente material. Muito bom poder encontrar textos com questões subjetivas. Poderia por favor enviar-me o gabarito. Desde já agradeço. elisangella2008ipu@hotmail.com

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  11. Gostei muito do trabalho, principalmente por conter questões subjetivas e objetivas em um mesmo espaço!

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  12. pode me enviar o gabarito de ''anúncios sutis como elefantes'' ?? meu email danitec27@gmail.com

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  13. Poderia passar o gabarito do texto: UM MUNDO AFOGADO EM PAPEL. gabrielventuroso2011@gmail.com
    Obrigado.

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    1. Pode me enviar o gabarito do texto o mundo afogado em papel?

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  14. Poderia passar o gabarito do texto: UM MUNDO AFOGADO EM PAPEL. gabrielventuroso2011@gmail.com
    Obrigado.

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  15. preciso do gabarito do texto acabou o vestibular

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  16. Gostei muito do material. Quero usar com minhas turmas do EM alguns desses textos. Gostaria que me mandassem o gabarito do texto "Os sonhos dos adolescentes". E-mail: roseangela1607@hotmail.com. Obrigada.

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  17. Excelente material. Quero usar com minhas turmas de EM alguns desses textos. Se for possível mandasse o gabarito dos textos: " Os sonhos dos adolescente" e "acabou o vestibular". Mande para meu e-mail. magnolia_rocha@hotmail.com

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  18. Excelente material. Como faço para copiar? Não estou conseguindo.

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  19. Excelente material, as vezes ficamos sem opção por estarmos atarefadas, aqui temos a oportunidade de escolha.

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  20. Ótimo material, podes me passar o gabarito do texto Antes que elas cresçam?? Obrigada

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  21. Ótimo material, muito obrigada está ajudando muito.

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  22. Ótimo material, muito obrigada está ajudando muito.

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  23. Por gentileza, gostaria do Gabarito do texto 13 "A MISÉRIA É DE TODOS NÓS", meu e-mail é cassio_felipe@live.com.
    Parabéns pelo seu blog, muito útil e interessante

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    Respostas
    1. Excelente material. Parabéns!
      Por gentileza, poderia me enviar o gabarito do texto: A MISÉRIA É DE TODOS NÓS? Agradeço imensamente.
      Meu e-mail é afma223@gmail.com

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  24. Ótimo material,obrigada está ajudando muito.

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  25. Que riqueza de material !
    Poderia enviar os gabaritos ?
    renatamere@gmail.com
    Obrigada !

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  26. Renata, obg pelo apoio e elogio, continue visitando o Blog, pois estarei sempre postando textos e outros para nos auxiliar nas tarefas diarias. Neste bloco apenas o Texto de número 23 está sem gabarito, mas vou providenciá-lo. Bjsss

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