quinta-feira, 25 de maio de 2017

TEXTOS PARA O ENSINO MÉDIO- COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

01 – CULTURA E LIBERDADE

        Ser livre implica poder optar racionalmente entre duas coisas. É precisamente o caráter racional dessa opção que faz da cultura a base, por excelência, da liberdade.
        Com efeito, toda e qualquer escolha instintiva, inconsciente ou desavisada pode, inclusive, ser feliz ou correta; mas nunca será gesto de liberdade na plenitude da palavra.
        É, pois, a cultura, entendida como posse, o mais integral possível dos valores científicos, morais ou filosóficos, que nos possibilita julgá-los, elegê-los conscientemente, depô-los ou retificá-los. E isso é ser livre.
        Os sábios antigos, que foram levados à prisão em nome de postulados que seus contemporâneos não admitiam, constituem, paradoxalmente, expressivo exemplo de homens livres. A prisão não os privou de sua eleição íntima e consciente; não os tornou, por conseguinte, menos livres. Certamente, eles viram em sua segregação social, não a perda da liberdade, mas o preço a pagar por tê-la exercido plenamente.
        No mundo atual, em que opções políticas, religiosas, sociais e ideológicas as mais dedicadas se nos impõem, a cultura já não é apenas um meio de chegar à liberdade, porém uma arma a utilizar na preservação dela.
        Continuemo-nos, portanto. Pensar em liberdade sem ter cultura é como querer voar, tendo apenas condições para arrastar-se.
                                                                                                      EDSON OLIVEIRA.
1 – Qual a tese do autor?
       Ser livre implica poder optar, racionalmente, entre duas coisas.

2 – De que argumentos ele se utiliza para sustentar a sua tese?
       Diz-nos que o caráter racional dessa opção é que faz da cultura a base da liberdade e que a escolha, racionalmente feita, será um gesto de plena liberdade.

3 – De que recursos ele se utilizou para precisar seus argumentos?
       Utilizou-se de exemplos.

4 – Entendido o texto, que relação semântica você percebe no título escolhido?
       Percebe-se a relação de causa e consequência.

5 – Que outro título daria ao texto?
       Resposta pessoal.
6 – Qual o seu ponto de vista quanto ao assunto dissertado?
       Resposta pessoal.


02 – FIM DA REPETÊNCIA
         CAUTELA NECESSÁRIA.

         O índice médio de repetência nas escolas do Rio foi de 15% em 1997. Ainda estão sendo levantados os dados referentes ao ano seguinte, que a secretária municipal de Educação, Carmen Moura, espera terem sidos mais baixos. Mesmo assim, há motivo para preocupação, pois esse resultado interrompe uma trajetória de progresso que vinha desde 1992, com o porcentual de repetência caindo de 22% para 12% em 1996.
        Em reação, a secretaria pretende este ano tornar automática a aprovação na primeira e na quinta séries do Ensino Fundamental, nas quais é maior o índice de reprovação.
        Em princípio, a ideia é positiva. O problema maior do ensino público é a evasão, que tem como principal causa a repetência. Ainda que o aluno chegue à segunda (e mais tarde à sexta) série com alguma deficiência no aprendizado, isso será melhor do que abandonar a escola.
        Mas a aprovação automática não pode ser adotada sem que sejam instituídos mecanismos de avaliação e cobrança de desempenho. Basta ver o que aconteceu em Niterói, que há cinco anos adotou um programa exagerado: aprovação automática da primeira à oitava séries. Uma avaliação dos alunos revelou graves deficiências de aprendizado, e a Prefeitura vai modificar o sistema, introduzindo exames a cada dois ou três anos. Também no Estado do Rio, a aprovação automática foi instituída e depois abandonada.
        Os precedentes, portanto, mostram a necessidade de muita cautela. O fim da repetência, em tese desejável, exige que paralelamente exista um monitoramento rigoroso do progresso que os alunos estejam fazendo.

        REPROVAR É BOM?

        Escola boa, dizem, é a que reprova. Por quê? Desde quando ser reprovado em alguma coisa é bom?
        Quantas pessoas foram reprovadas na sua trajetória escolar porque ficaram faltando alguns décimos para alcançar a nota final? E tiveram que repetir um ano inteiro, ouvindo as mesmas coisas do ano anterior? Isso significa um ano na vida de uma pessoa. Será que é pouco?
        E o desestímulo que uma reprovação acarreta? E o sentimento de “sou burro”, “não consigo aprender”? Em que isto ajudou as pessoas a serem mais felizes ou mais sabidas?
        É preciso que fique claro que, por trás de uma medida institucional, como a atribuição de conceitos OS (Plenamente Satisfatório), S (Satisfatório) e EP (Em Processo) adotada pela disciplina, é importante, e muito menos, usar a avaliação (testes e provas) para “dominar” a turma ou ameaça-la.
        Avaliação faz parte do processo pedagógico, da rotina escolar, e serve apenas para redirecionar o meu trabalho. Serve apenas para que eu verifique em que as coisas não vão bem, para que eu possa melhorá-las. Se existe a “cultura da nota”, e não acreditamos mais nela, cabe a nós mesmos mudar o que está aí.
        Não é reprovando que se garante seriedade. Se assim fosse, do jeito que reprovamos tanto, todo esse tempo, seríamos um povo carioca seríssimo. E a SME/RJ não quer a aprovação automática. Quer, sim, que os professores ensinem e que os alunos aprendam; que sejam vistos, professores e alunos, como sujeitos, cidadãos que estão fundando um novo tempo.
        Tempo de compreensão, de sabedoria, de solidariedade, de respeito.

          Denise Guimarães é professora da Secretaria Municipal de Educação.
                                                                                            O Globo – 15/02/1999.

1 – Qual o assunto tratado em ambos os textos?
       A repetência escolar.

2 – Qual o tema, que também é coincidente?
       O fim da repetência.

3 – Qual o ponto de vista dos autores o tema abordado?
       A reprovação escolar desestimula o aluno.

4 – De que argumento cada um dos autores se utiliza para defender a tese apresentada?
       Em ambos os textos: o abandono escolar; a partir daí, há necessidade de se procurarem estratégias para que a educação seja vitoriosa.

5 – No segundo texto, qual é o verdadeiro compromisso dos professores no processo educacional?
       O compromisso é com o ensinar e aprender.

6 – Quanto a você, qual o seu ponto de vista sobre a repetência de um aluno ao longo de sua vida estudantil?
       Resposta pessoal.

7 – Apresente 03 (três) argumentos para fundamentar seu ponto de vista:
       Resposta pessoal.

8 – “Desde quando ser reprovado em alguma coisa é bom? Você concorda com essa afirmação? Justifique.
       Resposta pessoal.

9 – Que precauções tomar para ser reprovado pela vida o mínimo possível ou (não ser reprovado)?
        Resposta pessoal.

03 – A IMPLANTAÇÃO DA PENA DE MORTE NO BRASIL

        Não é de hoje que, no Brasil, vem-se discutindo acaloradamente sobre a implantação da pena de morte, sem que se tenha posição firmada, já que se trata de questão bastante polêmica.
       Os que defendem a pena de morte argumentam a partir do fato de ser o nosso país detentor de um alto índice de criminalidade de diversas naturezas. Essa legislação vira intimidar os assassinos perigosos, impedindo-os de cometer os crimes denominados hediondos. Acrescentam, ainda, a certeza de, com ela, vermos resolvido o problema da superlotação dos presídios.
        Outros, no entanto, não aceitam a ideia de ser humano tirar a vida de um semelhante, por mais tenebroso que seja o delito cometido. Argumentam que injustiças seriam cometidas nos julgamentos de cidadãos inocentes, em um país onde o sistema judiciário é tão falho. Apoiam-se, além disso, em princípios religiosos que desdenham a ideia e ainda citam que em algumas partes do mundo onde a pena de morte foi implantada crimes bárbaros não deixaram de acontecer.
        Diante do que foi exposto, percebemos o quanto é difícil estabelecer uma posição definitiva sobre o assunto, mas o que todos nós gostaríamos de ver acontecer é que o país passasse por uma profunda reformulação, atingindo o combate às causas de tantos crimes violentos que fazem parte do nosso dia a dia.

1 – Qual o ponto de vista do autor?
       Diante de tema tão polêmico, fica difícil estabelecer uma posição definitiva sobre a questão.

2 – Que argumentos foram utilizados para defender a implantação da pena de morte?
        Ser o país detentor de um alto índice de criminalidade de diversas naturezas, a intimidação dos assassinos e a superlotação dos presídios.

3 – Que argumentos contrários foram utilizados?
       O ser humano não tem o direito de tirar a vida de seu semelhante, injustiças seriam cometidas nos julgamentos de cidadãos inocentes e, mesmo em alguns países onde a pena de morte foi implantada, crimes bárbaros ainda ocorrem.

4 – Qual a conclusão apresentada?
       Embora seja difícil assumir uma posição sobre o assunto, o pais está necessitando de passar por uma reformulação penal, para combater crimes violentos.

5 – Apresente o seu ponto de vista.
       Resposta pessoal.

6 – Exponha argumentos: favoráveis e contrários.
       Resposta pessoal.


04 – RESPONSABILIDADE PENAL
         LINHA DIVISÓRIA

        Fixar uma idade a partir da qual o adolescente está em condições de responder por crimes que venha a cometer é uma decisão que tem necessariamente uma grande dose de arbitrariedade.
        É natural que não se possa processar criminalmente uma criança de 5 anos, mas que um rapaz de 19 anos que tenha cometido um crime deva cumprir pena; quanto a isso, dificilmente haverá quem discorde. Entretanto, não se conhece um critério definitivo para estabelecer que, por exemplo, quem completou 14 anos já está em condições de assumir responsabilidade penal. Porque o discernimento, é evidente, não surge magicamente, num determinado dia, e sim se forma gradualmente.
        Não existe, entretanto, alternativa razoável. É impossível evitar a arbitrariedade, pois em algum ponto será preciso traçar a linha divisória, exatamente como se faz para determinar em que idade se deve cumprir o serviço militar ou votar, ou em que idade se pode tirar a carteira de motorista – e todos sabem que um carro, em mãos irresponsáveis, pode se tornar uma arma mortal.
        Os 18 anos de idade para a responsabilidade penal, se algum dia foram justos, hoje certamente são demais. Em países desenvolvidos, como a Inglaterra, Estados Unidos França e outros, menores de 18 anos vão a julgamento, e por todos os motivos uma política semelhante deveria ser adotada no Brasil. Não há como supor que um rapaz de 16 anos seja incapaz de distinguir o que é ilícito ou de prever as consequências de seus atos; de saber para que serve uma arma ou de compreender a diferença entre o roubo e uma travessura.
        Contra a ideia de diminuição da idade da responsabilidade penal costumam ser apresentados argumentos aparentemente válidos, como o de que a cadeia é na realidade uma escola do crime, ou de que os criminosos são sempre fruto da sociedade em que vivem. Mas essas considerações, embora convincentes, são irrelevantes. Fazem parte de uma discussão bem mais ampla, sobre a maneira mais eficiente de combater a criminalidade e de fazer justiça, mas não tem aplicação na questão da responsabilidade penal, pois dizem respeito a qualquer idade.

        MENOR NA CADEIA?

        O Congresso Nacional começa a discutir projeto que pretende alterar a idade da responsabilidade penal.
        Quando se pergunta ao auditório, em aulas ou conferências, com que idade o menor deve ir para a cadeia pela prática de um crime, a quase unanimidade responde: 16 anos. Alguns preferem os 14 ou até menos. Se escolhe alguém para explicar o porquê, a resposta é infalível: “Se pode votar, pode ir para a cadeia.” Esta resposta está dentro do raciocínio do “se sabe o que faz, deve pagar pelo que fez”. No entanto, este argumento é o mais frágil de todos e por duas razões.
        O sistema não é baseado no “sabe o que está fazendo”, mas na idade, independentemente da sabedoria. O critério da idade não é justo, nem científico, porque, primeiro, um único dia determina uma diferença absoluta quanto aos direitos e deveres; segundo, porque não existe ciência no mundo que garanta que o discernimento de um ser humano começa ou acaba no dia de um aniversário.
        No entanto, embora imperfeito o sistema da idade é o único capaz de evitar discriminação, porque é absolutamente universal. É por isso que mulher só casa com 16, com autorização dos pais, e homem com 18 anos;
Com 16 anos até o analfabeto vota; mas o deputado mais votado do Brasil não pode ser senador antes dos 35 anos; o mais hábil motorista não consegue a carteira antes dos 18 anos; o mais sábio desembargador deixa de julgar no dia em que completa 70 anos. E o criminoso só vai para a cadeia com 18 anos. Em nenhum caso, qualquer que seja a “sabedoria” da pessoa, ela adquire ou perde direitos se não tiver essa idade, mesmo que haja uma diferença de um único dia. Afinal, a consciência do certo e do errado todos tem, desde tenra idade.
        A discussão tem que mudar de eixo. Deve-se indagar é se a cadeia é a solução para a delinquência juvenil. A prisão e a gravidade de pena por si só não resolvem.
        Temos um exemplo histórico. A pena máxima para o traficante de drogas aumentou de cinco para sete e para 15 anos e, agora, é crime hediondo; os maiores criminosos estão em presídio de segurança máxima e o tráfico não diminuiu. Uma boa lei para menores infratores impõe consequências dentro de um sistema de justiça, muito mais eficazes que o puro e simples encarceramento.
        Solução? Manter os 18 anos para a responsabilidade penal e um exame profundo do Estatuto da Criança e do Adolescente, nove anos depois de sua vigência. Ele não permite que um menor traficante, preso em flagrante com grande quantidade de tóxicos e armas, seja internado; fixa prazos para as medidas socioeducativas, impedindo a reeducação; e muitas outras imperfeições estão demonstrando que é hora de ser avaliado. A cadeia, por si só, não é a solução.

                                  Alyrio Cavallieri é desembargador e ex-juiz de menores.
                                                                                              O Globo, 18/04/1999.

1 – Por que o autor intitulou o texto de Linha Divisória?
      O estabelecimento de limite entre ser ou não responsável por atos praticados.

2 – O que é definido como arbitrariedade no texto?
       Julgamento pessoal.

3 – Reescreva, com suas próprias palavras, o 1º parágrafo do texto, resumindo-o.
       Resposta pessoal.

4 – De que argumento o autor se utiliza, no 2º parágrafo, para comprovar a ideia veiculada sobre a dificuldade de estabelecer-se um critério definitivo para que o adolescente tenha condições de assumir responsabilidades?
       Da falta de critério para julgar se um jovem está ou não em condições de assumir responsabilidade sobre seus atos.

5 – Reescreva, com suas próprias palavras, o 2º parágrafo, resumindo-o.
       Resposta pessoal.

6 – No 3º parágrafo, de que recurso lança mão o autor para sustentar o argumento principal de seu texto?
       A exemplificação.

7 – E no 4º parágrafo, qual o recurso?
       A citação exemplificativa.

8 – O último parágrafo do texto contém argumentos e contra-argumento. Aponte-o.
        Argumentos: A cadeia é uma escola do crime e os criminosos são frutos da sociedade em que vivem.
       Contra-argumento: A maneira mais eficiente de combater a criminalidade e de fazer justiça.

9 – No 2º parágrafo de Menor na Cadeia, ocorre a frase “se sabe o que faz, deve pagar pelo que fez”. Com que finalidade ela foi utilizada?
       Servir como argumento para quem defende a ideia de responsabilidade criminal para jovens com 16 anos, ou menos, de idade.

10 – Cite dois pontos de contato entre os textos, ou seja, pontos de vista com idêntica base de sustentação.
        Na discussão da “linha divisória” e na necessidade de rever-se o combate da criminalidade em suas formas de atuação.

11 – E você? Qual é o seu ponto de vista sobre o tema?
        Resposta pessoal.

05 – PARA EVITAR UMA DEMOCRACIA CORRUPTA

        A revelação de que dois deputados federais receberam dinheiro para votar a favor da emenda da reeleição confirma o que todos suspeitavam – sem que houvesse provas – desde janeiro, quando ela foi aprovada pela câmara. Houve negociações de todo tipo, numa gama que vai da legitimidade duvidosa até a pura e simples corrupção.
        Este jornal apoio o direito de o presidente da República disputar um mandato consecutivo nas urnas, embora preferisse que tal mudança de regra fosse decidida em plebiscito. Essa teria sido a fórmula mais democrática e a única capaz de evitar que episódios patéticos, como os revelados agora pelo repórter Fernando Rodrigues, comprometessem a tese.
        Infelizmente, apenas a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a apurar as responsabilidades e identificar os infratores devolverá, ao trâmite da emenda que faculta a reeleição, o mínimo de legitimidade de que ela precisa para merecer o respeito da opinião pública.
        Sabemos que CPIs tendem a se transformar em palco de exibicionismo demagógico e que a convocação de mais uma delas desviará as atenções do fundamental: as reformas na estrutura do Estado, que o governo corretamente pleiteia e que o Congresso tarda em discutir e aprovar. Mas não há opção.
        Seja para não perdemos o passo da evolução internacional, seja para preservarmos a estabilidade, é imprescindível que as contas públicas sejam saneadas e o Estado atue com mais racionalidade e promova justiça social. Em suas linhas gerais, a Folha tem apoiado o programa de privatização e as propostas de reforma administrativa, fiscal e previdenciária.
        Mas não basta modernizar a economia, é preciso melhorar a política, aumentar sua transparência, corrigir suas mazelas.
        Este jornal acredita cumprir sua tarefa ao publicar informações relevantes, amparadas em provas. Caberá as instituições agir sem condescendência, se não queremos uma modernização de fachada e uma democracia corrupta.
                                           Editorial – Folha de São Paulo, 18 de abril de 1997.
1 – Esse texto é um exemplo de um editorial. Seção do formal em que são expressas as opiniões do editor-chefe ou do proprietário do formal a respeito dos principais acontecimentos tratados numa determinada edição.
        O editorial é o parecer particular, a opinião pessoal do editor. A partir dessas informações, responda:
a)     Dentre as modalidades discursivas – dissertativa, narrativa, descritiva – qual delas o texto representa por definição e composição? Justifique.
Preponderantemente dissertativo, já que encerra opinião do editor.

b)    Qual o assunto-base de que trata o texto?
A corrupção.

c)     Qual o tema abordado?
Por uma democracia sem corrupção.

d)    Qual a tese defendida pelo editor?
Sem que o Governo aja com firmeza, não estabeleceremos uma democracia sem corrupção.

e)     Em qual argumento fundamental se apoia o autor, para sustentar a sua tese?
A necessidade de reformas na estrutura do Estado.

2 – O texto apresenta três partes bem definidas:
a)     Há uma síntese do assunto, em que o jornalista põe o leitor a par dos fatos. Que fatos são esses?
A síntese: a denúncia de que dois deputados federais foram subornados, a fim de votar a favor da emenda da reeleição, aprovada em janeiro pela Câmara.

b)    No corpo do texto o autor revela a linha de pensamento do jornal. Que ações são defendidas pelo jornal?
O corpo: apoia o direito de o presidente da república disputar a reeleição; sugeriu uma CPI par apurar as irregularidades; apela pela justiça social; aprova e confia no Governo quanto às suas decisões de privatizar e fazer reformas.

c)     Na conclusão, o autor expõe suas expectativas e leva o leitor a refletir sobre as posições editoriais apresentadas. Qual(is) é(são) a(s) expectativa(s) do formal?
A conclusão: o editor espera que as instituições ajam sem condescendência.

3 – A respeito do título:
a)     A oração constituinte do título possui que valor expressivo?
Finalidade.

b)    Que reescritura ele receberia, se acrescentássemos uma conjunção e empregássemos o verbo numa forma do modo indicativo, sem que alterássemos o sentido da frase?
Para que se evite uma democracia corrupta.

c)     Que frase do último parágrafo poderia ser agregada ao título, dando sentido completo, resumindo, dessa forma, o pensamento global editorial?
Para evitar uma democracia corrupta, caberá às instituições agir sem condescendência.

4 – No segundo e no quinto parágrafo, o autor faz uso da metonímia na sua comunicação, para indicar ações e posições assumidas. Transcreva essas passagens em referência.
       Este jornal apoiou “... a Folha tem apoiado...”

5 – “Caberá às instituições agir sem condescendência...” Em relação à expressão sublinhada na frase acima:
a)     Justifique a ocorrência da crase.
A crase ocorre em função da predicação do verbo “caber”, que exige complemento acompanhado pela preposição “a”, e esse complemento está representado por vocábulo feminino no plural.

b)    Classifique-a sintaticamente.
Objeto indireto.

6 – “... é imprescindível / que as contas públicas sejam saneadas / e o Estado atue com mais racionalidade / e / promova a justiça social.”
       A estrutura sintática registrada no trecho acima, constante no quinto parágrafo, é também encontrada no parágrafo seguinte. Transcreva o trecho em que se constata situação de mesmo valor sintático no parágrafo citado.
       “... é preciso melhorar a política, aumentar sua transparência, corrigir suas mazelas”.

7 – No segundo parágrafo, o autor, ao expor o posicionamento filosófico do jornal, faz uma ressalva. A propósito:
a)     Qual é essa ressalva a que nos referimos?
O jornal preferia que a mudança de regra a que faz referência fosse decidida através de plebiscito.

b)    Que elemento de coesão ocorre nessa situação e qual o seu valor semântico?
“Embora” – valor concessivo.

8 – Explique o emprego dos pronomes “estes” e “essa” que ocorrem no segundo parágrafo.
       O pronome “este” foi empregado para designar o jornal do qual ele, editor, faz parte, é integrante, participante, ou em que se encontra. Já o outro, “esse”, retoma a tal fórmula, o plebiscito, trazendo-o de volta ao texto.

9 – A respeito da passagem “sem que houvesse provas”:
a)     Explique o emprego dos travessões que a destaca.
Separa, dá destaque, a uma interferência do editor, com o sentido de emprestar um esclarecimento necessário ao conjunto de ideias apresentado.

b)    Substitua a expressão “sem que” por outra de igual valor.
Mesmo que não / ainda que não.

c)     Reescreva a frase substituindo o verbo haver pelo verbo existir, e comente a mudança sintática processada na estrutura frasal.
Sem que existissem provas.
Com a presença do verbo haver, na frase original, decorre a função sintática do objeto direto, representado pelo vocábulo “provas”, e a inexistência de um sujeito na oração. Com a reescritura, o verbo existir, porque possui uma outra predicação, não exige complemento e expõe o termo “provas”, agora como sujeito.

10 – O texto não é abundante quanto a imagens produzidas por conotações, mas registra algumas imagens que merecem ser decodificadas. Então, decodifique-as:
a)     “Sabemos que CPIs tendem a se transformar em palco de exibicionismo demagógico...”
Palco – lugar da cena, local para apresentar.

b)    “... se não queremos uma modernização de fachada...”.
Fachada – aparência, sem consistência, sem valor real.



TEXTOS COM INTERPRETAÇÃO PARA O ENSINO FUNDAMENTAL - II- COM GABARITO

01 - TEXTO - O "S" DO PROBLEMA
O jovem engenheiro, desde estudante, dividira o tempo entre os livros e os exercícios atléticos, do gênero força e saúde. Assim, quando viu que o encarregado da obra era um português que não tinha mais tamanho, gostou. Gostou porque os fortes se entendem e só confiam na força. Mas uma soturna rivalidade foi também se criando entre os dois. Que, entre dois fortes, fica infalivelmente suspensa no ar a tentação de saber quem é o mais forte. Um dia, o engenheiro chamou o encarregado:
– Mande dois homens para arrancar a moldura do concreto da laje.
O português sorriu com menoscabo:
– Dois homens, doutor?! Eu cá num abrir de olhos faço a coisa.
E zás-trás, plac-ploc, o encarregado foi arrancando com violência as peças de madeira que protegiam o concreto, enquanto o doutor o contemplava na faina hercúlea, entre embevecido e safado da vida. Aquilo lhe chegava como um desafio pessoal e ameaça à autoridade.
Três dias depois, parte-se a peça de ferro que prende a caçamba ao guincho. O engenheiro arranjou um bom pedaço de ferro retilíneo e foi ao português:
– Faça um S com este ferro.
O homem foi saindo com a barra na mão.
– Ei, onde você vai?
– Vou fazer o S no torno.
O engenheiro tomou-lhe a barra.
– Torno? Pra que torno?
Zás-trás, plac-ploc, sob o olhar pasmado do português, nosso amigo fez da peça de ferro um S perfeito.
– Tome isto. E fique sabendo que quem manda aqui sou eu! Tá?
(Paulo Mendes Campos)

Marque a única opção correta.
1. “O jovem engenheiro, desde estudante, dividira o tempo entre os livros e os exercícios atléticos, do gênero força e saúde.” Nesta passagem, o narrador nos leva a concluir que ele:
a.( ) critica o jovem engenheiro porque, como estudante, ele só devia estudar.
b.( ) ridiculariza o jovem engenheiro, porque força bruta não vai bem com capacidade intelectual.
c.( ) elogia o jovem engenheiro por fazer a união entre competência profissional e força física.
d.( ) louva o jovem por aproveitar o tempo livre em exercícios atléticos, ao invés de ficar sem fazer nada.
e.( ) considera irrelevante o fato de o jovem engenheiro ter-se dedicado também a exercícios atléticos.
2. “Soturna rivalidade” é o mesmo que rivalidade:
a.( ) permanente
b.( ) aparente
c.( ) ostensiva
d.( ) irracional
e.( ) dissimulada
3. Com a resposta: “… Eu cá num abrir de olhos faço a coisa”, o português revela-se:
a.( ) insubordinado
b.( ) competente
c.( ) orgulhoso
d.( ) prestativo
e.( ) ofendido
4. “Zás-trás, plac-ploc”, a onomatopeia dá ideia de:
a.( ) força
b.( ) rapidez
c.( ) concentração
d.( ) falta de jeito
e.( ) cautela
5. “Tá?”, esta expressão final, típica da linguagem popular, dá a entender que o engenheiro:
a.( ) fazia uma pergunta
b.( ) mostrava dúvidas
c.( ) afirmava categoricamente
d.( ) exclamava contente
e.( ) queria ouvir a opinião de outra pessoa.
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GABARITO
1. alternativa D
2. alternativa E
3. alternativa C
4. alternativa B
5. alternativa C
02 – TEXTO: O DIPLOMA
–       Olha o diploma da mamãe! Quem tem sua mamãe, ofereça este diploma a ela! Ofereça um diploma à sua mamãe!
O rapaz aproximou-se da banca onde se exibiam os diplomas. Pediu licença para pegar um deles, enquanto o vendedor continuava gritando a mercadoria sentimental.
Mirou e remirou o papel com atenção.
–       Onde é que bota o retrato?
–       Que retrato? – perguntou o camelô.
–       O meu, para oferecer à minha mãe.
–       Ah, compreendo, o cavalheiro quer dar um retratinho a ela. Muito bem, coloque sua bonita estampa nas costas do diploma, está vendo?
Timidamente, o rapaz formulou a objeção:
– Mas, se ela enquadrar o diploma e pendurar na parede, o retrato fica escondido nas costas.
– Perfeitamente, nesse caso, ela pode pendurar o quadro de costas e o amigo fica aparecendo.
– Isso não. Eu queria botar meu retrato na frente do diploma, junto disso tudo que está aí escrito.
– Não tem problema, cola aqui neste canto, fica mais interessante.
O rapaz tirou um embrulhinho do bolso, tirou do embrulhinho sua fotografia em tamanho postal, aplicou-a sobre o diploma, no lugar indicado pelo vendedor. Reconheceu aborrecido:
–       Cabe não.
–       Cabe sim. Com licença, cavalheiro. Olhe como ficou bonito. O senhor não gosta do retrato aqui neste canto?
–       Ele precisa de mais espaço… Se não, vai cobrir as letras da escrita…
–       Ora, só umas letrinhas. Vai levar?
–       Bem… eu levo. Corto o peito do meu retrato, assim ele cabe sem ofender as palavras. E como eu faço para mandar para Inajaroba?
–       Onde fica isso, meu chapa?
–       Sergipe, então não sabe?
–       Até este momento não sabia, mas não tem problema. Enrola, bota no Correio, vai de avião.
–       Chega todo esbandalhado.
–       Então, passa ali na papelaria e pede para botar enchimento, fazer um embrulho bem legal.
–       Mais um favorzinho, moço – e o rapaz baixou a voz e a cabeça.
–       Vai dizendo, vai dizendo.
–      Pode ler para mim o que está escrito aí? Eu não gostaria que minha mãe recebesse o diploma sem eu saber o que estou mandando dizer nele…
–       Com todo prazer – e leu com ênfase, para o rapaz e para o grupo em redor, a declaração de amor de um filho à sua mamãe, em forma de diploma.
(Carlos Drummond de Andrade, Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1970)
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Após a leitura atenta do texto, responda às questões:
1. Em que local aconteceu o diálogo do texto? Justifique sua resposta.
a. (   ) Num estabelecimento comercial.
b. (   ) à beira de uma calçada de rua.
c. (   ) dentro de uma escola.
2. Quais as personagens que atuam no texto?
3. O rapaz demonstrou boas maneiras, ao se aproximar da banca? (   ) sim    (   ) não         Justifique sua resposta.
4. Por que a mercadoria é chamada de sentimental?
5. Qual a primeira e principal preocupação do provável comprador?
6. No início do diálogo, o camelô emprega tratamento cerimonioso: cavalheiro. Mais adiante, porém, trata o possível comprador por “meu chapa”. A que você atribui essa mudança?
7. No trecho: “O rapaz tirou um embrulhinho do bolso, tirou do embrulhinho sua fotografia de tamanho postal…”. Por causa da presença das palavras em destaque, o contexto dessa pequena passagem parece sugerir que o comprador pertencia à:
a. (   ) alta sociedade
b. (   ) classe media
c. (   ) classe pobre e mais humilde.
8. Por que o rapaz baixou a voz e a cabeça ao pedir um último favorzinho ao camelô?
9. Identifique no texto a palavra ou expressão que significa:
a. argumentou, demonstrou um inconveniente através de um argumento:
b. estragado, amassado, esfrangalhado:
10. Na frase: “Quem tem sua mamãe, ofereça este diploma a ela.” A palavra em destaque é um pronome demonstrativo e o camelô a usou porque o diploma estava:
a. (   ) com o falante
b. (   ) com os ouvintes
c. (   ) longe do falante e dos ouvintes.
11. Na frase: “Eu queria botar meu retrato na frente do diploma, junto disso tudo que está  escrito.” as palavras em destaque foram usadas pelo comprador porque o diploma estava com:
a. (   ) o falante
b. (   ) com o ouvinte
c. (   ) longe do falante e do ouvinte
12. Na frase: “Então, passa ali na papelaria…” a palavra em destaque é um advérbio e foi usada pelo camelô porque:
a. (   ) a papelaria estava perto do falante.
b. (   ) a papelaria estava perto do ouvinte
c. (   ) a papelaria estava longe do falante e do ouvinte.
___________________________________________________
GABARITO
  1. Letra B. Justificativa: As bancas geralmente são instaladas nas calçadas das ruas de maior movimento e o texto se refere a um camelô que falava alto oferecendo sua mercadoria.
  2. Um camelô e um rapaz do povo.
  3. Sim. Antes de pegar um dos diplomas, pediu licença.
  4. Porque o camelô vendia a manifestação de amor dos filhos pelas mães.
  5. A de colocar na frente do diploma um retrato seu.
  6. O vendedor empregou o tratamento cerimonioso para destacar o cliente. Depois que o cliente disse que levava a mercadoria tudo se simplificou. É o que transparece, em seguida, com o emprego da linguagem coloquial.
  7. Letra C
  8. Porque, ao pedir que o camelô lesse o que estava escrito no diploma, estava confessando ser analfabeto e isto era constrangedor para ele, diante dos outros que estavam presentes.
  9. a) formulou objeção         b) esbandalhado
10. Letra A
11. Letra B
12. Letra C

03 – TEXTO: A BARBA DO FALECIDO
1.          Aconteceu em Jundiaí. Orozimbo Nunes estava passando mal e foi internado pela família no Hospital São Vicente de Paula, para tratamento. Orozimbo tem muitos parentes, é muito querido e tem uma filha que cuida dele. Foi a filha, aliás, que internou Orozimbo.
2.         Anteontem telefonaram para a filha de Orozimbo Nunes. Era do hospital e a notícia dada foi lamentável. Orozimbo tinha abotoado o paletó – como dizem os irreverentes. Isto é, tinha posto o bloco na rua, como dizem os superirreverentes, comparando  enterro a bloco carnavalesco. Enfim, Orozimbo tinha morrido. A filha de Orozimbo que fizesse o favor de aguardar, porque lá do hospital iam fazer o carreto, ou seja, iam mandar o defunto a domicílio.
3.         A filha do extinto caiu em prantos e convocou logo os parentes. Conforme ficou dito acima, Orozimbo era muito querido. Veio parente da capital, veio parente de Minas, parente do Rio, enfim, Jundiaí ficou assim de parente de Orozimbo. As providências para o velório foram logo tomadas, gastou-se dinheiro, compraram-se flores. Estava um velório legal se não faltasse um detalhe: não havia defunto.
4.          O corpo de Orozimbo não tinha chegado. A família ligou para o hospital e reclamou. Tinha saído no expresso-rabecão das seis – informaram. E, de fato, pouco depois Orozimbo (à sua revelia) chegava. Puseram o embrulho lá dentro, houve aquela choradeira regulamentar e, na hora de desembrulhar para preparar o cadáver, alguém notou que a barba de Orozimbo crescera.
5.          – Ele estava tão doente que nem podia fazer a barba – comentou um dos que ajudavam, com a filha de Orozimbo, que esperava lá fora.
6.          A filha de Orozimbo estranhou a coisa. Entregara Orozimbo doente, é verdade, mas Orozimbo chegara ao hospital perfeitamente escanhoado e não dava tempo de a barba ter crescido assim tão depressa.
7.          – A barba tá muito grande? – perguntou a filha de Orozimbo.
8.          Estava. Estava que parecia barba de músico da Bossa-Nova. Aí a moça desconfiou e foi conferir. Simplesmente não era Orozimbo. Tinham trocado as encomendas, e talvez naquele momento, outra família, noutro local, estivesse chorando o Orozimbo errado. Mais que depressa ligaram para o Hospital São Vicente de Paula e reclamaram contra a ineficiência do serviço de entregas rápidas.
9.          Nova verificação, para se saber qual era o embaraço, e a direção do eficiente nosocômio descobriu que Orozimbo nem sequer morrera. Não houvera uma troca de cadáveres, mas uma troca de fichas. O que morrera não era Orozimbo, era um barbadinho anônimo. Orozimbo estava lá, vivinho e, por sinal, passando muito melhor. Podia até ter alta, assim que desejasse.
10.          Claro, parou a bronca, e a raiva contra o desleixo transformou-se em pungente alegria. A família foi buscar Orozimbo (depois de devolver o barbicha, naturalmente) e o contentamento foi geral, em receber de volta aquele que já fora pranteado por antecipação e para o qual já tinham feito aquela vasta despesa para o enterro. Não sei se é verdade, mas dizem que a família, em sinal de regozijo pela volta de Orozimbo e também para aproveitar o que sobrara das despesas, ofereceu aos amigos um velório-dançante.
(STANISLAW PONTE PRETA. Garoto Linha Dura. 3ª Edição, Editora Sabiá, Rio de Janeiro, 1968)
Após a leitura do texto, respondas às questões abaixo.
1. Ao saber do falecimento de Orozimbo, a filha chorou, como era de se esperar, e imediatamente:
a. (   ) foi ao hospital conferir o fato
b. (   ) comunicou o fato aos parentes
c. (  )providenciou os serviços funerais
d. (   ) preparou a casa para o velório
2. Segundo os dicionários, velório significa passar noite em claro na sala onde está exposto um morto. De acordo com o texto, podemos entender que o velório:
a. (   ) aconteceu por pouco tempo
b. (   ) começou com a chegada do defunto
c. (   ) terminou com a descoberta do erro
d. (   ) não chegou realmente a acontecer
3. Os parentes de Orozimbo comentaram o tamanho da barba do falecido com a filha e, então, ela se admirou. Por quê?
4. O narrador diz que “talvez naquele momento, outra família, noutro local, estivesse chorando o Orozimbo errado” (parág. 8). Analisada a situação, haveria essa possibilidade?   Sim (   )           não (   )
Justifique sua resposta.
5. Embora Orozimbo estivesse vivo, a família teve despesas com o velório. Na sua opinião, a quem cabe a culpa por essa despesa inútil? E por quê?
6. O narrador informa de modo irreverente que: “Orozimbo tinha abotoado e paletó” e “posto o bloco na rua” (parág. 2). Reescreva a frase dentro do português padrão.
7. Localize no texto e transcreva para os espaços uma palavra que tenha o mesmo significado de:
a) pormenor, particularidade: ________________________
b) deficiência, inutilidade: ___________________________
c) hospital: _______________________________________
d) negligência, descuido: ____________________________
e) comovente, incitante: _____________________________
f) chorado, lamentado: ______________________________
g) alegria, contentamento: ___________________________
8. Antigamente, dava-se o nome de rabecão ao contrabaixo (instrumento musical semelhante do violino, porém muito maior). No texto rabecão tem outro significado. Qual é? ____________________________________________________
GABARITO
1. b     2. D
3. A barba não poderia ter crescido tanto em tão poucos dias e a filha ficou admirada porque ainda não tinha visto o defunto.
4. Não. Porque só havia um defunto.
5. Há duas possibilidades de culpados:
a) A família de Orozimbo, que não esperou o defunto chegar para se certificar do falecimento
b) A direção do hospital, que deu a informação errada à família.
6. Orozimbo  tinha falecido (ou morrido)
7. a) detalhe – parágrafo 3
b) ineficácia – parágrafo 8
c) nosocômio – parágrafo 9
d) desleixo – parágrafo 10
e) pungente – parágrafo 10
f) pranteado – parágrafo 10
g) regozijo – parágrafo 10
8. Carro fúnebre.


04 – TEXTO: MEUS PRIMOS
1.          R. G. era um demônio. Mais atleta, mais afeito à terra que qualquer um de nós, era uma espécie de Tarzan, filho do mato e do rio, diante da nossa meia tendência para o asfalto.
2.          Numa tarde, resolvemos caminhar pela estrada de ferro – e outra coisa não pretendíamos senão dar uma olhada na filha de um vigia novato, morena carregada, de olhos verdes e longas tranças que, de tardinha, lavava os pés, enfeitava a cabeça com uma flor e vinha para o patamar de casa tocar viola de 12 cordas e cantar “Suçuarana”.
3.          No meio do caminho, demos com a ponte de ferro feita de trilho, dormentes e mais nada, onde só o trem podia passar. R. G. teimou que atravessar seria uma canja, andando por cima dos dormentes. E se o trem viesse? – aventamos essa perigosa possibilidade. Não ligou. Nós ficamos no barranco do rio e ele começou, sozinho, a travessia.
4.          De repente, parecia coisa do diabo, o trem saiu da curva, a 100 metros da ponte. R. G. ia exatamente na metade e não tinha tempo de correr para frente ou para trás. Fechamos os olhos, pensamos em Deus por sua alma de 16 anos. O trem passou, houve um minuto de pausa e, depois, R. G. apareceu no mesmo lugar, (…), gritando que não seria a locomotiva da Great Western que o mataria tão jovem.
5.          Garoto de incrível presença de espírito, quando viu o trem à sua frente, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado. Depois que passaram os 12 vagões, suspendeu-se como num exercício de barra e começou a rir do estado de pânico em que estávamos.
6.          O maquinista, ao chegar à estação de Gameleira, a dois quilômetros dali, entregou-se à polícia, confessando que tinha matado um menino da usina Cachoeira Lisa.
_______________________________________________________________
Marque com X o sinônimo da palavra ou expressão em destaque.
1. Em: “R. G. era um demônio.” (par. 1).  A palavra destacada pode ser substituída por:
a. (   ) animal                b. (   ) moleque malvado
c. (   ) rapaz travesso   d. (   ) ignorante
2. Em: “Mais atleta, mais afeito à terra…” (par. 1), a expressão destacada pode ser substituída por:
a. (   ) mais insensível à terra        b. (   ) mais acostumado à terra
c. (   ) mais desabituada à terra    d. (   ) mais preocupado com a terra
3. Em: “… diante da nossa meia tendência… “ (par. 1), a expressão destacada significa:
a. (   ) desprezo     b. (   ) inclinação     c.(   ) amor       d. (   ) preocupação
4. Em: “… dar uma olhada na filha de um vigia novato…” (par. 2), a palavra destacada indica que o vigia:
a. (   ) tinha pouca idade           b. (   ) era ingênuo
c. (   ) ano tinha experiência     c. (   ) estava a pouco tempo naquele lugar
5. Em: “E se o trem viesse? – aventamos essa perigosa possibilidade.” (par. 3). A palavra destacada pode ser substituída por:
a. (   ) insinuamos         b. (   ) verificamos
c. (   ) investigamos      d. (   ) propusemos
6. Em: “Garoto de incrível presença de espírito…” (par. 5), a palavra destacada significa:
a. (   ) irreal       b. (   ) inútil      c. (   ) inacreditável      d. (   ) incansável
Responda com suas palavras, de acordo com o texto:
7. O autor caracteriza R.G. como uma espécie de Tarzan, mais afeito à terra, enquanto que os outros meninos estavam mais habituados à vida da cidade. Explique a expressão “nossa meia tendência para o asfalto.” (par. 1)
8. Ter presença de espírito significa saber sair de situações difíceis, inesperadas ou embaraçosas. Como R. G. conseguiu sair da situação difícil que, de repente, lhe apareceu?
9. A partir do texto, encontre três características do personagem R. G.
10. Transcreva o trecho do texto que indica o motivo pelo qual os meninos saíram de casa naquela tarde.
11. Identifique e transcreva o trecho do texto em que há momento de intensa expectativa e emoção, em que não se sabe o que vai acontecer.
12. Por que o maquinista entregou-se à polícia?
________________________________________________________
GABARITO 
1. c     2. B      3. b   4. D    5. A    6. C
7. A expressão foi utilizada pelo autor para indicar que esses meninos estariam mais habituados à vida da cidade, porque uma das características das cidades são as ruas asfaltadas.
8.  Quando viu o trem à sua frente e não tendo tempo para recuar ou avançar, R.G. agachou-se, segurou os dormentes com as mãos e então, soltou o corpo, ficando pendurado.
9. O texto indica as seguintes características: corajoso, travesso, decidido, brincalhão.
10. Você deve ter transcrito todo o parágrafo 2 do texto.
11. Início do parágrafo 4 até “16 anos”.
12. Porque julgara haver matado R.G.
  
05 - TEXTO:A CAUSA DA CHUVA

(MILLOR FERNANDES, Fábulas Fabulosas)
1.        Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.
2.        – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha.
3.        – Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.
4.        – Como assim? disse a lebre. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro.
5.        Nesse momento começou a chover.
6.        – Viram? gritou a galinha. O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!
7.      – Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo.
8.      – Mas, como assim? tornava a lebre. Parecem cegos? Não vêem que a água cai das folhas das árvores?
_____________________________________________
Assinale a única opção correta de acordo com o texto:
1. Percebe-se claramente que a causa principal da inquietação dos animais era:
a.(   ) a chuva que caía      b.(   ) a falta de chuva         c.(   ) as discussões sobre animais   
d.(   ) a conclusão  a que chegaram
2. A resposta à questão 1 é evidenciada pela seguinte frase do texto:
a.(   ) “Uns diziam que ia chover…” (parágrafo 1)
b.(   ) “… outros diziam que ainda ia demorar.” (parágrafo 1)
c.(   ) “Mas não chegavam a uma conclusão.” (parágrafo 1)
d.(   ) “Não chovia há muitos e muitos meses.” (parágrafo 1)
3. O sapo achou que o esclarecimento feito pela galinha era:
a.(   ) correto       b.(   ) aceitável     c.(   ) absurdo     d.(   ) científico
4. A expressão do texto que justifica a resposta da questão 3 é:
a.(   ) “Como assim?” (par. 4)     b.(   ) “Viram?” (par. 6)     c.(   ) “Ora, que bobagem!” (par. 3)   
d.(   ) “Parecem cegos?” (par. 8)
5. A atitude da lebre diante das explicações dadas pelos outros animais foi de:
a.(   ) dúvida interrogativa       b.(   ) aceitação resignada       c.(   ) conformismo exagerado          
d.(   ) negação peremptória
6. A expressão do texto que confirma a resposta à questão 5 é:
a.(   ) “Como assim?” (par. 4)     b.(   ) “Viram?” (par. 6)    c.(   ) “Ora, que bobagem!” (par. 3)   
d.(   ) “Parecem cegos?” (par. 8)
7. A fábula de Millôr Fernandes é uma afirmativa de que:
a.(   ) as pessoas julgam os fatos pela aparência
b.(   ) cada pessoa vê as coisas conforme o seu estado e seu ponto de vista
c.(   ) todos tem uma visão intuitiva dos fenômenos naturais
d.(   ) o mundo é repleto de cientistas
8. O relato nos leva a concluir que:
a.(   ) a galinha tinha razão
b.(   ) a razão estava com o sapo
c.(   ) A lebre julgava-se dona da verdade.
d.(   ) as opiniões estavam objetivamente erradas.
9. Cada um dos animais teve sua afirmação satisfeita quando:
a.(   ) a discussão terminou
b.(   ) chegaram a um acordo
c.(   ) começou a chover
d.(   ) foram apartados por outro animal
10. Toda fábula encerra um ensinamento. Podemos sintetizar o ensino desta fábula através da frase:
a.(   ) A mentira tem pernas curtas.
b.(   ) As aparência enganam.
c.(   ) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
d.(   ) Não julgueis e não sereis julgados.
___________________________________________________________
GABARITO
1. b     2. D    3. C    4. C   5. D      6. A    7. A       8. D      9. C       10. B