domingo, 15 de abril de 2018

FILME: SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS - PETER WEIR - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Filme: SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

Data de lançamento: 28 de fevereiro de 1990 (2h 08min)
Direção: Peter Weir
Nacionalidade: EUA

SINOPSE E DETALHES

        Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a "Sociedade dos Poetas Mortos".

Compreensão do filme:

01 – Qual o formato da proposta educacional da escola?
      É uma instituição preparatória ortodoxa, seu ensino é tradicional, outros princípios muito preservados eram a disciplina, honra e excelência. A educação era engessada, a escola pretendia apenas ensinar, não havia alguma intenção em fase o aluno aprender e pensar, o aluno não tinha autonomia.

02 – Descreva como era a relação professor e aluno, professor e escola.
      Os professores eram proibidos de criar um vínculo com os alunos, a escola queria apenas que os professores realizassem uma ótima preparação para o vestibular. Os professores utilizavam a “nota” para deter o aluno, era o método do tradicionalismo. Porém o professor John Keating, transforma a rotina tradicional, e inspira seus alunos a viverem a vida, mas a escola não aceita de modo algum este ensino convencional.

03 – Como era o comportamento da família e escola, família e aluno?
      Os pais dos alunos são contra os novos ideais que seus filhos descobriram, e apoiam plenamente a escola. Para os pais e a escola, os alunos deveriam aceitar as imposições profissionalizantes, sem quebrar as regras, os alunos não aceitavam a ideia de um regimento forte que seus pais e escola tinham o costume de impor. A família e escola retiravam totalmente a liberdade dos alunos.

04 – Qual a diferença entre o conhecimento baseado na aprendizagem mnemônica e aprendizagem voltada para construção do sujeito?
      A aprendizagem mnemônica, auxilia na memória, é uma forma de memorizar fórmulas e listas, de maneira simples, é uma sequência que possui um sentido, uma lógica. Já na aprendizagem voltadas para a construção do sujeito, “o sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver”. (Rubem Alves). A educação visa conhecimento, consciência e organização para afirmação do sujeito.

05 – Qual o significado da cena dos garotos andando na escuridão com uma lanterna?
      Os garotos são cheios de sonhos, e vontade de viver, a cena dos garotos andando na escuridão com uma lanterna significa a quebra para uma renovação, significa uma luz na mente dos alunos, pois eles querem uma decisão em suas vidas.

06 – Qual é a representação da entrada na caverna durante a noite?
      O professor John Keating desperta em alguns alunos a necessidade deles buscarem a si mesmos, com intenção de firmar sua personalidades. Os jovens acabam entrando na caverna durante a noite, isto acaba representando a devida “liberdade”, a vontade de viver a vida, o conceito do “Carpe Diem”. (Vontade de viver a vida intensamente).

07 – Qual o significado dos garotos subirem nas carteiras e o professor observar pela fresta da porta?
      Os garotos sobem nas careiras, como significado de observar a vida com outros olhos, com pensamentos e opiniões, a ideia de não perder o tempo precioso. O professor ao observar pela fresta da porta percebe que sua metodologia passou segurança para seus alunos, agora eles são sujeitos, e proclamam o ato de viver.

08 -  Onde se passa a trama do filme?
      A trama se dá em uma escola, um internato masculino, que adota um sistema de ensino tradicional de conservador bastante rígido, focado claramente para ingressar os alunos em faculdades renomadas.

09 – Como devem ser escolhidos e trabalhados os conteúdos de ensino na visão do professor / personagem e em que cena atesta seu posicionamento em relação a esses aspectos?
      O professor é avesso ao método tradicionalista. Ele estimula o aluno a pensar e analisar as poesias com suas experiências. A cena que atesta esse fato é quando ele manda rasgar as folhas de introdução de um livro de análise de poesia. Ele ensina que não se pode analisar poesia como gráficos, pois elas contêm “palavras e ideias que podem mudar o mundo.”

10 – Indique uma cena que expresse um princípio de aprendizagem significativa:
      Papel do professor: estimulador e facilitador da aprendizagem.
      Cena: O aluno Anderson é tímido e introvertido, o professor o estimula a gritar e consegue com que o aluno faça a poesia oralmente, desafiando-o a soltar o pensamento e estimula o potencial contido. O aluno não só declama a poesia, como se surpreende com o texto. Este é um exemplo de aprendizagem significativa, em que o aluno é estimulado pelo professor e dá o feedback da aprendizagem.


MÚSICA: CHICO MINEIRO - TONICO E FRANCISCO RIBEIRO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Música: Chico Mineiro
                                           Tonico e Francisco Ribeiro

        Cada vez que eu me alembro do amigo Chico Mineiro, das viagem que nos fazia era ele meu companheiro. Sinto uma tristeza, uma vontade de chorar, alembrando daqueles tempo que não mais hái de vortar. Apesar de eu ser patrão, eu tinha no coração o amigo Chico Mineiro, caboclo bom, decidido, na viola era delorido e era o peão dos boiadeiro. Hoje porém com tristeza recordando das proeza da nossa viagem motim, viajemo mais de dez ano, vendendo boiada e comprano, por esse rincão sem-fim. Caboclo de nada temia mas porém, chegou um dia, que Chico apartou-se de mim.

Fizemo a úrtima viage
Foi lá pro sertão de Goiais.
Foi eu e o Chico Mineiro
também foi o capataz.
Viajemo muitos dia
pra chegar em Ouro Fino
aonde nós passemo a noite
numa festa do Divino.

A festa tava tão boa
mas antes não tivesse ido
o Chico foi baleado
por um homem desconhecido.
Larguei de comprar boiada.
Mataram meu companheiro.
Acabou o som da viola,
acabou seu Chico Mineiro.

Despoi daquela tragédia
fiquei mais aborrecido.
Não sabia da nossa amizade
porque nós dois era unido.
Quando vi seus documento
me cortou meu coração
vim sabê que o Chico Mineiro
era meu legítimo irmão.

Entendendo a canção:
01 – A canção sertaneja nos descreve o quê?
      Descreve o modo simples de vida do sertanejo, do “caipira”, muito embora, essa expressão “caipira” ainda sofra um pouco de preconceito, por ser vista de forma pejorativa.

02 – Que nome se dá a este tipo de preconceito?
      Preconceito linguístico.

03 – Essas pessoas tem como característica o seu linguajar próprio que foi muito bem demonstrado nesta canção. Cite algumas palavras.
      Alembro – alembrado – viage – passemo – fizemo – urtima – vorta – delorido.

04 – Essa canção é sem dúvida, um exemplo claro de que não temos apenas uma forma de falar. A nossa língua varia, e muito, e essas variedades são apenas diferentes e nunca melhores e mais corretas. Devemos nos atentar para quê?
      Para que não caiamos em um preconceito linguístico, onde certas variantes da língua possam ser discriminadas e outras privilegiadas.

05 – Que versos o poeta descobre que Chico Mineiro era seu irmão?
      “Quando vi seus documento
       me cortou meu coração
       vim sabê que o Chico Mineiro
       era meu legítimo irmão.”

06 – Conte com suas palavras a história do Chico Mineiro.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Um homem convivia com o amigo Chico Mineiro numa comitiva de transporte de gado. Durante uma parada em Ouro Fino, os amigos foram para a Festa do Divino, onde aconteceu uma tragédia e o Chico Mineiro foi baleado por um homem desconhecido e quando pegou os documentos descobriu que eram irmãos.
     

FÁBULA: A MOSCA E A FORMIGUINHA - MONTEIRO LOBATO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Fábula: A MOSCA E A FORMIGUINHA

        - SOU FIDALGA! – DIZIA A MOSCA À FORMIGUINHA QUE PASSAVA CARREGANDO UMA FOLHA DE ROSEIRA. - NÃO TRABALHO, POUSO EM TODAS AS MESAS, LAMBISCO DE TODOS OS MANJARES, PASSEIO SOBRE O COLO DAS DONZELAS E ATÉ ME SENTO NO NARIZ. QUE VIDÃO REGALADO O MEU...
        A FORMIGUINHA ARRIOU A CARGA, ENXUGOU A TESTA E DISSE:
        - APESAR DE TUDO, NÃO INVEJO A SORTE DAS MOSCAS. SÃO MAL VISTAS. NINGUÉM AS ESTIMA. TODA GENTE AS ENXOTA COM ASCO. E O PIOR É QUE TEM UM BERÇO DEGRADANTE: NASCEM NAS ESTERQUEIRAS.
        - ORA, ORA! – EXCLAMOU A MOSCA. – VIVA EU QUENTE E RIA-SE A GENTE.
        - E ALÉM DE IMUNDAS SÃO CÍNICAS – CONTINUOU A FORMIGA – NÃO PASSAM DUMAS PARASITAS. JÁ A MIM TODOS RESPEITAM. SOU RICA PELO MEU TRABALHO, TENHO CASA PRÓPRIA ONDE NADA ME FALTA DURANTE O RIGOR DO MAU TEMPO. E VOCÊ? VOCÊ, BASTA QUE FECHEM A PORTA DA COZINHA E JÁ ESTÁ SEM O QUE COMER. NÃO TROCO A MINHA HONESTA VIDA DE OPERÁRIA PELA VIDA DOURADA DOS FILANTES.
        - QUEM DESDENHA QUER COMPRAR – MURMUROU IRONICAMENTE A MOSCA.
        DIAS DEPOIS A FORMIGA ENCONTROU A MOSCA A DEBATER-SE NUMA VIDRAÇA.
        - ENTÃO, FIDALGA, QUE É ISSO? – PERGUNTOU-LHE.
        A PRISIONEIRA RESPONDEU, MUITO AFLITA:
        - OS DONOS DA CASA PARTIRAM DE VIAGEM E ME DEIXARAM TRANCADA AQUI. ESTOU MORRENDO DE FOME E JÁ EXAUSTA DE TANTO ME DEBATER.
        A FORMIGA REPETIU AS EMPÁFIAS DA MOSCA, IMITANDO-LHE A VOZ: “SOU FIDALGA! POUSO EM TODAS AS MESAS... PASSEIO PELO COLO DAS DONZELAS...” E LÁ SEGUIU O SEU CAMINHO, APRESSADINHA COMO SEMPRE.
        QUEM QUER COLHER, PLANTA. E QUEM DO ALHEIO VIVE, UM DIA SE ENGASGA.
LOBATO, MONTEIRO. FÁBULAS. SÃO PAULO.
EDITORA BRASILIENSE, 1994.

Entendendo a fábula:
01 – QUAL É O TÍTULO DO TEXTO?
      A mosca e a formiga.

02 – QUEM É O AUTOR?
      Monteiro Lobato.

03) QUAIS SÃO OS PERSONAGENS DA HISTÓRIA?
      Os personagens do texto são a formiga e a mosca.

04 – QUANTOS PARÁGRAFOS EXISTEM NO TEXTO?
      O texto possui 12 parágrafos.

05 – COMO VIVIA A MOSCA?
      A mosca não trabalha vive posando em todas as mesas, lambiscando todos os manjares, passeando pelo colo das donzelas e até se sentando nos narizes.

06 – COMO VIVIA A FORMIGA?
      Ela é rica pelo seu trabalho, tem casa própria e nada falta a ela durante o rigor do mau tempo, e ela é honesta.

07 – DO QUE A MOSCA SE ORGULHAVA?
      A mosca se orgulhava de não trabalhar e ter tudo.

08 – DO QUE A FORMIGA SE ORGULHAVA?
      Ela se orgulhava de ser honesta e trabalhar.

09 – EXPLIQUE A MORAL DA HISTÓRIA:
      Resposta pessoal.

10 – NO TEXTO EXISTEM ALGUMAS PALAVRAS GRIFADAS, PROCURE NO DICIONÁRIO O SIGNIFICADO DELAS E REGISTRE O QUE MAIS SE ENCAIXA NO CONTEXTO:
      Fidalga: pessoa nobre.
      Lambisco: Comer pouco, beliscar.
      Regalado: farto, abundante.
      Arriou: baixar, pôr no chão.
      Asco: nojo
      Degradante: infame
      Parasitas: que vive à custa alheia.
      Filantes: pessoa que procura obter as coisas sem gastar dinheiro.
      Exausta: ababado.
      Empáfias: vaidade.



CONTO: O SONHO DE ÍCARO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Conto: O sonho de Ícaro

    Contam os que sabem que Dédalo foi um homem muito sábio na Grécia. Ele era o pai de Ícaro.
    Quando eles estavam presos no labirinto do Minotauro, teve a ideia de construir dois pares de asas para ele e o filho fugirem dali.
    Dédalo construiu-as com as penas dos pássaros, depois as colou em cera. Antes de levantar voo, disse ao filho:
    – Não voe muito alto, perto do sol a cera derrete. Nem voe muito baixo, perto do mar a umidade deixa as penas pesadas e você pode cair.
    Mas a sensação de voar foi tão estonteante para Ícaro que ele esqueceu a recomendação e elevou-se tanto nos ares a ponto do pior acontecer.
    A cera derreteu, Ícaro perdeu as asas, caiu ao redor do mar de Creta e morreu afogado.

Entendendo o conto:
01 – Qual é o título do texto?
      O título do texto é “O sonho de Ícaro”

02 – Quais são os personagens do texto?
      Os personagens do texto são Ícaro e Dédalo.

03 – Onde eles estavam presos?
      Eles estavam presos no labirinto do Minotauro.

04 – O que eles construíram? E como?
      Eles construíram asas colando penas de pássaros com cera.

05 – Que recomendação o pai deu ao filho?
      Ele disse para o filho não voar nem muito alto, nem muito baixo.

06 – No fim o que aconteceu com Ícaro?
      Ícaro acabou gostando tanto de voar que esqueceu o que o pai disse e voou tão alto, que suas asas derreteram e ele acabou se afogando.




CONTO: O HOMEM CUJA ORELHA CRESCEU - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


CONTO: O HOMEM CUJA ORELHA CRESCEU


   Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como d cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam à cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.
          Quando chegou na pensão, a orelha saía pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.
          Ao acordar, viu os pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para lá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fora da cama. Dormiu.
          Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hóspedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.
          Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas de casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetes. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.
          E, quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, chamaram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.
          E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: “Por que o senhor não mata o dono da orelha”?

                 Ignácio de Loyola Brandão. Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão. Seleção de Deonísio da Silva. São Paulo; Global, 1993.p.135.

Entendendo o texto:
01 – O texto narra algo absurdo, impossível de acontecer na vida real. O que é?
     O fato de uma orelha de alguém crescer ininterruptamente, ocupando vários espaços de uma cidade e servindo de comida às pessoas da região.

02 – Ao mesmo tempo que o conto narra uma situação absurda, ele também apresenta elementos que remetem ao mundo em que vivemos. Quais são esses elementos?
     Antes do acontecido, o protagonista era uma pessoa comum, um homem solteiro de 35 anos que vivia em uma pensão, trabalhava em uma firma de tecidos e fazia hora extra para completar a renda. Além disso, a sociedade retratada no conto parece se organizar de maneira parecida com a nossa (há referência ao prefeito, ao governador, ao presidente), e são mencionados personagens e organizações que conhecemos, como donas de casa, instituições de caridades, etc.

03 – Em alguma medida, toda obra de ficção fala sobre questões que vivenciamos no mundo real, ainda que por meio de acontecimentos aparentemente absurdos. Como você interpreta o elemento fantástico no conto de Loyola Brandão?
     Resposta pessoal.

04 – Assim como o conto “O homem cuja orelha cresceu”, o romance O visconde partido ao meio apresenta elementos fantásticos.
     a)   De que forma o fantástico está presente no romance de Italo Calvino?
      O elemento fantástico principal é o fato de o visconde Medardo di Terralba levar um tiro de canhão no peito e voltar para sua terra literalmente partido ao meio. A partir de então, as duas partes passam a se comportar de maneira antagônica: uma se comporta extremamente bem, e a outra, extremamente mal.

     b)   Como você interpreta a presença desse elemento fantástico no romance?
      Resposta pessoal.


TEXTO: MURIBECA - MARCELINO FREIRE - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Texto: MURIBECA


   Lixo? Lixo serve pra tudo. A gente encontra a mobília da casa, cadeira pra pôr uns pregos e ajeitar, sentar. Lixo pra poder ter sofá, costurado, cama, colchão. Até televisão.
    É a vida da gente o lixão. E por que é que agora querem tirar ele da gente? O que é que eu vou dizer pras crianças? Que não tem mais brinquedo? Que acabou o calçado? Que não tem mais história, livro, desenho?
         E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pelas ruas, roubar pra comer?
         E o que eu vou cozinhar agora? Onde vou procurar tomate, alho, cebola? Com que dinheiro vou fazer sopa, vou fazer caldo, vou inventar farofa?
         Fale, fale. Explique o que é que a gente vai fazer da vida? O que a gente vai fazer da vida? Não pense que é fácil. [...]
         O povo do governo devia pensar três vezes antes de fazer isso com chefe de família. Vai ver que eles tão do olho [...] aqui. Nesse terreno. Vai ver que eles perderam alguma coisa. É. Se perderam, a gente acha. A gente cata. A gente encontra. Até bilhete de loteria, lembro, teve gente que achou. Vai ver que é isso, coisa da Caixa Econômica. Vai ver que é isso, descobriram que lixo dá lucro, que pode dar sorte, que é luxo, que lixo tem valor.
        Por exemplo, onde a gente vai morar, é? Onde a gente vai morar? Aqueles barracos, tudo ali em volta do lixão, quem é que vai levantar? Você, o governador? Não. Esse negócio de prometer casa que a gente não pode pagar é balela, é conversa pra boi morto. Eles jogam a gente é num esgoto. Pra onde vão os coitados desses urubus? A cachorra, o cachorro?
        [...] Isso tudo aqui é uma festa. Os meninos, as meninas naquele alvoroço, pulando em cima de arroz, feijão. Ajudando a escolher. A gente já conhece o que é bom de longe, só pela cara do caminhão. Tem uns que vêm direto de supermercado, açougue. Que dia na vida a gente vai conseguir carne tão barata? Bisteca, filé, chã de dentro -  o moço tá servido? A moça?
        Os motoristas já conhecem a gente. Tem uns que até guardam com eles a melhor parte. É coisa muito boa, desperdiçada. Tanto povo que compra o que não gasta – roupa nova, véu, grinalda. [...]
        Agora, o que deu na cabeça desse povo? A gente nunca deu trabalho. A gente não quer nada deles que não esteja aqui jogado, rasgado, atirado.
A gente não quer outra coisa senão esse lixão pra viver. Esse lixão para morrer, ser enterrado. Pra criar os nossos filhos, ensinar o nosso ofício, dar de comer. Pra continuar na graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não faltar brinquedo, comida, trabalho.
        Não, eles nunca vão tirar a gente deste lixão. Tenho fé em Deus, com a ajuda de Deus, eles nunca vão tirar a gente deste lixo. Eles dizem que sim, que vão. Mas não acredito. Eles nunca vão conseguir tirar a gente deste paraíso.

                     Marcelino Freire. Angu de sangue. Cotia: ateliê, 2000, p. 23-25.

 Balela: afirmação ou boato infundado ou falso; mentira.
 Chã de dentro: carne da parte interior da coxa bovina.
 Perambular: andar sem destino; vaguear.

Entendendo o texto:
01 – Releia o início do conto.
      “Lixo? Lixo serve pra tudo”.
       Explique o estranhamento que pode ser causado por essa frase.
        Ela expressa uma ideia contrária ao senso comum, pois em princípio se joga no lixo o que não tem mais utilidade, o que não serve para nada (e não o que “serve pra tudo”).

02 – A personagem central, que também é a narradora, ao longo do texto enumera os vários produtos que ela e outras pessoas aproveitam do lixo.
     a) Copie o quadro a seguir no caderno e complete-o.

Parágrafo           Produtos encontrados      Necessidades satisfeitas
    1º               cadeira, sofá, cama,                  mobília, eletrodomésticos
                      Colchão, televisão
    2º               brinquedo, calçado, livro          divertimento, calçado,
                                                                                       Livro.
     3º              garrafas, latas, caixas                      trabalho
     4º              tomate, alho, cebola                         comida
     7º              espaço para a construção                moradia
                                  De casas.
     8º              arroz, feijão, carne                            comida.

     b) De acordo com o texto, o fato de esses produtos virem do lixo interfere no aproveitamento deles pelos moradores do lixão?
      Não.

     c) Qual sua opinião sobre essa atitude das personagens?
      Resposta pessoal.

03 – Releia.
      I – “E por que é que agora querem tirar ele da gente”.
      II – “Agora, o que deu na cabeça desse povo?”
      Pela leitura dessas frases, temos a indicação de que alguma medida quanto ao lixão está para ser tomada.
     a) Que medida você acha que é essa?
      Provavelmente o lixão será desativado.

     b) O que deve tê-la motivado?
      Os lixões a céu aberto poluem o ambiente, podem contaminar o solo e os lençóis freáticos, prejudicando a qualidade da água e causando danos graves e/ou irreversíveis ao ambiente e à saúde humana.

04 – A personagem mostra-se distante do poder público.
     a) O que a personagem espera dele?
      Ela espera que o poder público permita a permanência dos catadores no lixão.

     b) Que medidas poderiam ser reivindicadas?
      Por exemplo, poderiam ser reivindicadas uma atenção mais efetiva à população de catadores, sua remoção para um ambiente saudável, medidas que facilitassem aos catadores conseguir empregos não insalubres e com salário digno, etc.

05 – Copie o trecho que melhor ilustra o conteúdo de suas respostas à questão 4.
     a) “O que é que eu vou dizer pras crianças?”.
     b) “O povo do governo devia pensar três vezes antes de fazer isso com chefe de família.”
     c) “É coisa muito boa, desperdiçada. Tanto povo que compra o que não gasta [...].”
     d) “A gente não quer nada deles que não esteja aqui jogado, rasgado, atirado.”