segunda-feira, 27 de março de 2017

MÚSICAS COM GABARITO - VII

MÚSICAS COM GABARITO


01 – A mão da limpeza
O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e
Sabão.
Negra é a mão
De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão.

                  Gilberto Gil. Raça humana. Gege Edições Musicais, 1984. Faixa 6.

1 – Na primeira estrofe da canção, é citada uma expressão popular bastante preconceituosa, que é contestada e negada na segunda estrofe.
a)     Identifique a expressão.
“O negro, quando não suja na entrada, vai sujar na saída”.
b)    De acordo com o texto, por que a expressão popular é equivocada?
Contrariamente à expressão, o negro limpava o que o branco sujava.
c)     Essa expressão preconceituosa ainda é ouvida nos dias de hoje?
Sim.
2 – Há um jogo de ideias em torno do verbo “sujar”, que é empregado no sentido denotativo (próprio, referencial) e conotativo (figurado).
a)     Indique em qual estrofe o verbo “sujar” é empregado no sentido denotativo e em qual estrofe é usado no sentido conotativo.
Na primeira estrofe, o verbo “sujar” é empregado em seu sentido conotativo.
Na segunda estrofe, é empregado em seu sentido denotativo.
b)    Explique o sentido do verbo “sujar” em cada uma das estrofes.
Na primeira, significando “fazer algo errado”.
Na segunda, significando tornar algo sujo, anti-higiênico.
3 – Escolha a alternativa que melhor explica a denúncia feita na terceira e quarta estrofes.
a)     Depois da abolição da escravatura, os negros passaram a ter as mesmas oportunidades de trabalho que os brancos.
b)    Mesmo depois da abolição da escravatura, as oportunidades de trabalho são diferentes entre brancos e negros, cuja maioria permanece executando o trabalho manual, desvalorizado socialmente.
c)     Depois da abolição da escravatura, os negros preferiram os trabalhos manuais, por considerarem a limpeza algo nobre.


02 – HOMENAGEM AO MALANDRO

Eu fui fazer um samba em homenagem
À nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais
Eu fui à lapa e perdi a viagem,
Que aquela tal malandragem
Não existe mais
Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com o aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro om contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal
Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más-línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central.
                              HOLLANDA, Chico Buarque de. Homenagem ao malandro.
       By MAROLA Edições Musicais Ltda. 1977. Todos os direitos reservados.

1 – De acordo coma canção, a malandragem tradicional não existe mais.
a)     O que aconteceu a esse malandro? Quem seria ele atualmente?
Não existe mais. É um trabalhador pobre, com família para sustentar, morador de bairros afastados, humildes.
b)    Quem é esse “novo” malandro? Justifique sua resposta com trechos do texto.
O novo malandro é aquele que, mesmo aplicando grandes golpes ou participando de esquemas de corrupção, não é perseguido nem punido.
c)     Que práticas são costumeiramente realizadas por esse “novos” malandros para eles serem considerados, pelo autor, como “malandros”?
O “novo” malandro é aquele que, mesmo aplicando grandes golpes ou participando de esquemas de corrupção (crime do colarinho branco), não é perseguido nem punido, mantendo-se aparentemente como um “digno cidadão”: tem capital, participa da política e ocupa uma posição social de resposta. Trecho:  “Malandro com o aparato de malandro oficial [...] Malandro com contrato, com gravata e capital”.
d)    De acordo com a impressão passada pela canção, qual dos malandros parece oferecer mais “perigo” à sociedade: o tradicional ou o novo malandro?
O “novo” malandro.
e)     Você concorda com a visão do autor? Por quê?
Resposta pessoal.
2 – explique a ironia presente no seguinte verso:
       Dizem as más-línguas que ele até trabalha.
       Trabalhar gera má fama ao malandro. Um malandro tradicional não trabalharia para sustentar a família. Isso seria comprometer para sua figura, diminuiria sua dignidade como malandro.
3 – Observe o título da canção e estabeleça relações com o texto.
       O título refere-se à primeira intenção do autor, que era fazer um samba em homenagem ao malandro, aquele que não existe mais. O título é irônico, à medida que o malandro aí “cantado” acaba sendo principalmente, o corrupto da atualidade.
4 – A expressão “conhecer de outros carnavais” é bastante popular e significa conhecer “há bastante tempo”.
        Você saberia mencionar outra expressão que indique tempo decorrido? Com seus colegas, tente se lembrar de uma ou mais.

        - Fazer (tantas) primaveras.      – passar (tantas) luas.

03 – CHICLETE COM BANANA

Só ponho bebop no meu samba
Quando o Tio Sam pegar num tamborim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele entender que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar Miami com Copacabana
Chiclete eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Quero ver a grande confusão
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
É o samba rock meu irmão
Mas em compensação
Quero ver o buggy-woogie de pandeiro e
Violão
Quero ver o Tio Sam de frigideira
Numa batucada brasileira
Quero ver o Tio Sam de frigideira
Numa batucada brasileira
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Quero ver a grande confusão
É o samba rock meu irmão
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
Um batuqueiro raro/Bap um bap pá pá
É o samba rock meu irmão.

                              Gordurinha e Almira Castilho 1960. Editora e Importadora
                                                                              Musical Fermata do Brasil Ltda.

Bebop: estilo de jazz que se desenvolveu nas décadas de 1940 e 1950, nos Estados Unidos.
Buggy-woogie (boogie-woogie): estilo de blues que se popularizou nas décadas de a940 e 1950, nos Estados Unidos.
Chiclete: o chiclete-tal como o conhecemos hoje: goma de mascar com sabor doce – foi inventado pelo estadunidense Thomas Adams no século XIX. No fim desse século, o produto começou a se popularizar nos Estados Unidos. Em meados do século XX, o chiclete, agora feito com produtos sintéticos, foi difundido no Brasil.
Rumba: gênero musical de origem cubana.
Tio Sam: referência aos Estados Unidos.
Zabumba: tambor de sonoridade grave.

1 – Já no título fica evidente a mistura entre um elemento estrangeiro e outro nacional, representados pelo “chiclete” e pela “banana”
a)     Complete o quadro com os elementos nacionais e estrangeiros presentes na letra da canção.
Palavras                        elementos estrangeiros          elementos nacionais
Algo comestível           chiclete                                       banana
Ritmos                           bebop, buggy-woogie              samba, batucada
Instrumentos               não há referência a                   tamborim, pandeiro,
                                       nenhum instrumento                zabumba, de frigideira
lugares                          Miami                                           Copacabana.
b)    De acordo com a canção, qual seria o resultado da mistura entre os elementos nacionais e estrangeiras?
Uma grande confusão. O samba rock.
2 – Que verso da canção faz referência a uma confusão geralmente feita por estrangeiros em relação a ritmos latino-americanos e/ou caribenhos? Destaque-o.
       “quando ele entender que o samba não é rumba”
3 – Indique a alternativa que apresenta a posição do autor em relação à influência estrangeira.
a)     A influência estrangeira deve ser aceita incondicionalmente, já que nossa música sempre se desenvolveu com base em elementos estrangeiros.
b)    A influência estrangeira pode até ser aceita quando houver uma “relação de mão dupla”. Ou seja, os elementos estrangeiros poderão ser incorporados à nossa música, desde que os elementos nacionais, brasileiros, também sejam incorporados pelo estrangeiro, no caso, os Estados Unidos.
c)     A influência estrangeira deve ser totalmente rejeitada, pois é prejudicial à nossa identidade cultural.

04 – GUARDE NOS OLHOS

Guarde nos olhos
A água mais pura da fonte
Beba esse horizonte
Toque nessas manhãs
Guarde nos olhos
A gota de orvalho chorando
Guarde o cheiro do cravo
Do jasmim, do hortelã
Guarde o riso
Como nunca se fez
Corra os campos
Pela última vez
Guarde nos olhos
A chuva que faz as enchentes
Vai um pouco com a gente
Rumo a capital
Vai dentro da gente
Vamos pra capital
Tá nos olhos da gente
Vamos pra capital.

              Ivan Lins. Nos dias de hoje. EMI, 1978. Oilua Produções Artísticas e
                          Edições Musicais Ltda./Copyrights Consultoria Ltda. Faixa 2.

1 – A voz que fala na canção aconselha ou sugere que se tenha uma espécie de último contato com alguns elementos – sobretudo naturais – que compõem uma paisagem.
a)     Escreva no quadro os versos da canção que apresentam conselhos relativos a cada um dos sentidos indicados.
SENTIDOS                                           VERSOS
Visão                                          “guarde nos olhos”
Paladar                                      “beba horizonte”
Tato                                            “toque nessa manhãs”
Olfato                                          “guarde o cheiro de jasmim, do cravo, do
                                                      Hortelã.”

b)    A quem estariam sendo dados esses conselhos?
De alguém que vai deixar seu lar (em uma cidade interiorana ou no campo) à cidade grande.
c)     Transcreva um verso da canção que justifique a sua resposta anterior.
“vai um pouco com a gente / ruma a capital”.
2 – Os conselhos são expressos por verbos no imperativo: guarde, beba, toque, corra.
a)     Indique os verbos empregados em sentido conotativo (figurado) e o verbo empregado em sentido denotativo (próprio).
Conotativo: guardar, beber, tocar.
Denotativo: correr.
b)    Tendo em vista o contexto da letra da canção, apresente os possíveis sentidos da expressão “Guarde nos olhos”.
Guardar na memória ou gravar na memória a imagem, o gosto, o cheiro, etc. de coisas com os quais não se terá mais contato na cidade grande.
3 – Discuta com seus colegas as relações de sentido que podem ser estabelecidas entre versos “Guarde nos olhos”, “Vai um pouco com a gente” e “Vai dentro da gente”.
         Os elementos deixados para trás não são totalmente perdidos por aqueles que se destacam para a cidade, pois, uma vez guardados na memória, tais elementos fazem parte das pessoas que rumam para a capital.



TEXTOS DE LINGUAGEM DO ENSINO MÉDIO COM GABARITO

TEXTOS DE LINGUAGEM DO ENSINO MÉDIO COM GABARITO

01 – HISTÓRIA: POR QUE E PARA QUÊ?

         Várias são as evidências da atual avidez pelo conhecimento histórico. Em outras palavras, a História está na moda! Filmes, séries televisivas, revistas de ampla divulgação, obras de caráter biográfico e temático são  algumas das expressões que atestam a receptividade que a produção de cunho histórico vem obtendo no universo sócio cultural brasileiro.
         Tal panorama parece indicar que, entre nós, a História atinge sua maioridade, suas pesquisas ganham consistência e adquirem respeitabilidade.  Verdade é que tudo isso pode ser atribuído, em grande parte, ao fato de os historiadores, cada vez mais, ampliam seus diálogos com as demais ciências.
         Por isso, instigado pelo nome desta seção da nossa História, ponho-me a pensar sobre as responsabilidades daqueles que se deixam seduzir pelos encantos de Clio, a musa dos historiadores, fazendo dessa disciplina sua opção profissional.
         Afloram em mim leituras e ensinamentos, a começar pela recorrente profissão de fé legada por MarcBloch nas anotações que, publicadas postumamente, resultaram na sua Apologia pela História ou o ofício do historiador. Belo título! Incontornável leitura!
         De imediato, relembro o parágrafo inicial. Nele, uma criança, se dirigindo ao pai historiador, indaga-lhe: “Diga-me, para que ser a História?”. Pergunta desconcertante que (felizmente, a meu ver) inquieta e atormenta estudantes, estudiosos e diletantes de História. Capacitados ou não a respondê-la, importa registrar a permanência desse desafio ao longo de nossa trajetória profissional.
         Com efeito, perceber e introjetar o sentido e a função sociais da História, compromisso do profissional da área, é também dever de consciência, de cada um de nós, na condição de agentes da nossa História, pois nunca é demasiado salientar que esta só se justifica e se explica porque tem os homens vivos como sua razão de ser. Estudamos História para conhecer e transformar a vida. Nossas angústias e interrogações são a força-motriz que nos impulsiona a conhecer o passado e, daí, tentar identificar e analisar criticamente as condições de e para a compreensão do nosso presente. [...]
         O passado e os mortos se constituem no objeto de nossos estudos, mas é das indagações e das perplexidades do presente que a História vai sendo reescrita e compreendida. É a partir do contexto em que nos situamos e do qual somos partícipes que construímos a nossa História.
         Cuidado em não resvalarmos para a prática do anacronismo, é no questionamento do passado que buscamos detectar e delinear nossas identidades. Essas, por seu turno, obviamente, só se delineiam por contratação, por antinomia. Vale dizer: o estudo da História objetiva captar e exprimir, predominantemente, nossas diferenças e não nossas afinidades.
         Assim, o conhecimento do passado, não sendo em si mesmo a História, antes de iluminar o futuro, deve proporcionar aos homens viverem melhor o seu presente. Propiciar-nos referências para a constituição de uma almejada sociedade mais justa e solidária.
         Refletindo dessa maneira, tenho como horizonte primeiro as pessoas e o mundo que me cercam. Não faço abstração do que está longe de mim. Bem sei e reconheço que necessito aprender o todo. No entanto, como incita o poeta, é mister que eu conheça e (com) viva com o rio de minha aldeia para que alcance e dimensione a extensão e a profundidade do oceano. A evocação final, igualmente lição assimilada, busco-a em Josef Fontana, quando afirma: “Entender melhor o mundo em que vivemos e ajudar os outros a entende-lo, a fim de contribuir para melhorá-lo, (é) o que nos faz falta. Porque como disse Tom Payne há mais de 200 anos, e essas são palavras que cada um de nós deveria gravar na sua consciência: está em nossas mãos recomeçar o mundo outra vez”.
                                        BOSCHI, Caio. Revista Nossa História. Rio de Janeiro:
                                        Fundação Biblioteca Nacional/Ministério da Cultura,
                                                                                 Ano 1, n. 11, set. 2004, p. 98.

1 – A respeito do primeiro parágrafo, responda:
a)     Qual é a informação que, aparentemente, responde à pergunta que dá título ao texto?
“Em outras palavras, a História está na moda!”.
b)    Após a primeira leitura, você confirma que essa é a resposta do autor à questão que ele propõe no título? Por quê?
Sim, essa é apenas uma constatação afeita pelo autor, mas não é a posição que ele defende.
2 – No parágrafo 6, o autor revela seu posicionamento. A esse respeito, responda:
a)     Qual é a informação que pode ser indicada como resposta ao título?
“Estudamos História para conhecer e transformar a vida”.
b)    Que palavras, logo no início do parágrafo, dá (dão) pistas de que se trata da posição do autor?
A expressão “com efeito” indica uma provável conclusão do autor.
3 – No oitavo parágrafo, o autor retoma o argumento apresentado no parágrafo 6. Copie do texto o trecho em que essa retomada acontece.
      “... é no questionamento do passado que buscamos detectar e delinear nossas identidades.”


 02 – SERMÃO VIGÉSIMO SÉTIMO, com o Santíssimo Sacramento exposto
                                                                            (da série Maria, Rosa Mística).

          Uma das grandes cousas que se veem hoje no mundo, e nós pelo costume de cada dia não admiramos, é a transmigração imensa de gentes e nações etíopes, que da África continuamente estão passando a esta América. [...] Os outros nascem para viver, estes para servir; nas outras terras do que eram os homens e do que fiam e tecem as mulheres, se fazem os comércios; naquela o que geram o pais e o que criam a seus peitos as mãos, é o que se vende e se compra. Oh, trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que os interesses se tiram da almas alheias, e os riscos são das próprias! [...]
          Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro, e os escravos carregados de ferro; [...]
          Estas são as considerações que faço, e era bem que fizessem todos, sobre os juízos ocultos desta tão notável transmigração e seus feitos. Não há escravo no Brasil [...] que não seja matéria para mim de uma profunda meditação. [...] não posso entender que Deus que criou estes homens tanto à sua imagem e semelhança como os demais, os predestinasse para dois infernos, um nesta vida, outro na outra. Mas quando os vejo tão devotos e festivais diante dos altares da Senhora do Rosário, todos irmãos entre si, como filhos da mesma Senhora, já me persuado sem dúvida que o cativeiro da primeira transmigração é ordenado por sua misericórdia para a liberdade da segunda [...].
          [...] neste mesmo estado da primeira transmigração, que a do cativeiro temporal, vos estão Deus e sua Santíssima Mãe dispondo e preparando para a segunda transmigração, que é a da liberdade eterna.
          [...] Isso é o que vos hei de pregar hoje par vossa consolação [...] vos peço me ajudeis a alcançar com que vos possa persuadir a verdade dela.

                           VIEIRA, Padre Antônio. Obras escolhidas. v. XI, Sermões (II).
                                                             Lisboa: Livraria Sá Costa, 1954, p. 47-50.

1 – A quem se destina o sermão pregado por Vieira?
     Aos negros.
2 – No período colonial, os negros eram considerados objetos, intelectualmente inferiores, e não podiam frequentar a igreja ao mesmo tempo eu os senhores. Considerando essas afirmações, como você explicaria o objetivo de Vieira para compor esse sermão?
     Resposta pessoal.
3 – De acordo com os trechos lidos, qual foi a “primeira transmigração” mencionada? E qual seria a “segunda transmigração”?
     A primeira foi o deslocamento dos negros da África para o Brasil;
     A segunda a passagem da vida para a morte.
4 – Em dois trechos, foi empregado o verbo “persuadir” (convencer). Localize-o e indique: quem deveria ser persuadido? De quê?
     “Já me persuado”; “com que vos possa persuadir a verdade dela”. Os negros deveriam ser convencidos de que seu cativeiro era parte do plano divino para salvação de suas almas.
5 – Fica claro que Vieira opõe –se aos abusos cometidos contra os negros, mas não se manifesta contra a escravidão em si. Que trecho confirma que o Padre vê, mesmo na escravização, um bom propósito de Deus? Destaque-o no texto.
     O cativeiro da primeira transmigração é ordenado por sua misericórdia (da Senhora do Rosário e de Deus) para a liberdade da segunda.

03 – NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

                     ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. São Paulo:
                                                                     Companhia das Letras, 2012, p. 237.

1 – Qual é o cenário que se propõe ao leitor do poema?
       Um caminho a ser trilhado, interrompido ou impedido por uma pedra.
2 – Para que a pedra seja tão significante e levada em consideração no poema, como você a imagina?
       Grande, enorme, um impedimento real ao prosseguimento.
3 – Você conhece situações reais, ou já ouviu falar de algo, em que uma pedra tenha causado tamanho impedimento?
       Resposta pessoal.
4 – Que situações simbólicas essa pedra e esse caminho podem estar representado?
       As dificuldades ou impossibilidades que se apresentam na vida das pessoas: decisões a serem tomadas para que se vá adiante, problemas que devem ser solucionados no trabalho, no casamento, na educação dos filhos, na carreira profissional, etc.
5 – Que versos dão a entender que:
a)     No momento em que narra a experiência, o eu lírico mostra-se bastante experiente, vivido, talvez idoso.
“Na vida de minha retinas tão fatigadas”.
b)    Passou-se muito tempo desde aquela experiência, porém ela continua vívida e permanecerá.
“Nunca me esquecerei que no meio do caminho”.




domingo, 26 de março de 2017

TEXTOS DE PORTUGUÊS PARA O 6º ANO COM GABARITO - V

TEXTOS DE PORTUGUÊS PARA O 6º ANO COM GABARITO


1º   TEXTO  : A Namorada
                                                                                    Manoel de Barros

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.


2º  TEXTO :  Namoro Desmanchado

                                                                                      Pedro Bandeira

Já não tenho namorada
e nem ligo para isso.
É melhor ficar sozinho,
namorar só dá enguiço.

Eu conheço os meus colegas
sei que vão argumentar
que pra não ser mais criança
é preciso namorar.

Mas a outra só gostava
de conversa e de passeio
e queria que eu ficasse
de mãos dadas no recreio!

E eu ali, sentado e quieto,
no recreio lá na escola,
de mãos dadas feito um bobo,
vendo a turma jogar bola!



1.    Os dois textos pertencem ao mesmo gênero textual? Qual?
Sim. Poesia.
2.    Quantas estrofes possui o 1º texto? E o segundo?
O primeiro possui um.  O segundo possui quatro.
3.    Quantos versos possui o 1º texto ao todo? E o segundo?
O primeiro possui 15 versos. O segundo possui 16 versos.
4.    No 1º texto aparece(m) rima(s)? Em caso afirmativo, diga que palavras rimam.
Não aparecem rimas.
5.    No 2º texto aparece(m) rima(s)? Em caso afirmativo, diga que palavras rimam.
Sim. As palavras são: isso/enguiço; argumentar/namorar; passeio/recreio; escola/bola.
6.    O texto I difere do texto II:

a) na vontade do eu lírico namorar.
b) na forma de namorar no recreio.
c) na constatação que namorar dá enguiço.
d) no argumento dos colegas quanto ao namoro.


   
  3º TEXTO  -  Água

Da nuvem até o chão, do chão até o bueiro
Do bueiro até o cano, do cano até o rio
Do rio até a cachoeira

Da cachoeira até a represa, da represa até a caixa-d’água
Da caixa-d’água até a torneira, da torneira até o filtro
Do filtro até o copo

Paulo Tatit e Arnaldo Antunes. Canções de brincar. Palavra Cantada produções musicais, 1996.

1.    Qual é a ideia principal do texto?

a) Os sons que a água faz.
b) Os diferentes lugares onde encontramos a água.
c) O caminho que a água faz para chegar até nós.
d) A poluição das águas por todas as pessoas.

2.    Esse texto é um:

a)    Conto.
b)    Romance de aventura.
c)    Anedota.
d)    Poema.

4º TEXTO : Observe os textos abaixo.

















  1. No primeiro poema, que objeto a imagem sugere? Que relação há entre a parte escrita e o formato do poema?
- A xícara de café.
- O cheiro do café/fumaça.


  1. No segundo poema, o que a imagem sugere? Por que o autor usou essa imagem
Um caracol. Para mostrar que nossa vida é um processo.














5º TEXTO :




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         
  1. O texto é:
a)    Um poema.
b)    Uma receita.
c)    Um conto.
d)    Uma reportagem.                    
                                                                                 
  1. Para o milho estourar e virar pipoca é preciso que:

a)    A casca seja mais úmida que o núcleo.
b)    A casca evite perda de umidade do núcleo.
c)    O núcleo de amido estoure bem devagar.
d)    A casca seja mais amarela que o núcleo.

   
6º TEXTO :
CAÇADORES SÃO PRESOS NO PARQUE NACIONAL

Foz do Iguaçu – Em patrulhamento nas margens do Parque Nacional do Iguaçu, no município de Capitão Leônidas Marques, a Polícia Federal prendeu José Fortuna e o menor J.C.M., 16 anos, com diversas armas de fogo, aves abatidas e uma moto sem documentação.
Segundo os policiais, ao fazerem patrulhamento pela região da barra do Rio Gonçalves depararam com três pessoas, que ao avistarem os policiais empreenderam fuga, se embrenhando na mata. Em perseguição, a polícia conseguiu deter apenas dois, o terceiro ainda continua foragido. Durante a fuga, José Fortuna foi vítima de um disparo de sua própria arma.
Após ser liberado pelo hospital, os detidos foram conduzidos até a delegacia de Capitão Leônidas Marques e autuados em flagrante por porte ilegal de armas e dano à fauna. (...)
(Gazeta do Paraná, Caderno do Iguaçu, 9 de maio de 2001)

1)    O assunto principal da notícia é:

a)    Caçadores que foram presos por crime contra a fauna.
b)    Caçadores que fugiram da polícia florestal.
c)    Caçadores que passeavam pelo Parque Nacional do Iguaçu.
d)    Caçadores encontrados com diversas armas de fogo, aves abatidas e uma moto sem fiscalização.

2)    Ao perceberem a presença dos policiais, os caçadores fugiram por quê?

a)    Tiveram medo de serem confundidos com assaltantes.
b)    Sabiam que estavam errados, pois estavam cometendo crime contra a fauna.
c)    Confundiram os policiais com outros animais.
d)    Pensaram que os policiais fossem perigosos.

3)    Assinale a alternativa verdadeira.

a)    Os caçadores eram três e todos foram presos.
b)    Os caçadores eram três, mas um foi baleado e após ter alta do hospital foi preso com os demais.
c)    Os caçadores eram dois e ambos foram capturados.
d)    Os caçadores eram três, mas um foi baleado e permaneceu no hospital.



7º TEXTO :


BOLA DE MEIA BOLA DE GUDE

Milton Nascimento e Fernando Brant



Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão.

Há um passado
No meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão.

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor.

Pois não posso não devo não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia
Bola de gude
O solitário não quer solidão
Toda a vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão.




  1. Qual é o gênero do texto?                                                                  
a)    Uma narração
b)    Um poema
c)    Um anúncio
d)    Uma propaganda

  1. Quantas estrofes aparecem no texto? Quantos versos o texto possui ao todo?
São seis estrofes. E vinte e nove versos.
  1. Quais estrofes possuem mais versos? Quantos versos as compõem?
A primeira, a segunda, a quarta, a quinta e a sexta estrofe. São cinco versos.
  1. Qual estrofe possui menos versos? Quantos versos a compõe?
A terceira. Possui quatro versos.
   
  1. Releia a primeira estrofe. O que o autor quis dizer?
a)    Que as crianças gostam muito dele, por isso o ajudam.
b)    Que em sua casa tem uma criança que está sempre o ajudando.
c)    Que em seu coração mora uma criança que o ajuda nas dificuldades.

  1. O que o autor quis dizer com os versos abaixo? Marque a alternativa correta.           a)    Que há uma bruxa fazendo bruxarias para ele.
     b)    Que nas dificuldades o menino que vive em seu coração o ajuda.
     c)    Que há um menino morando com a bruxa.

  1. Releia a terceira estrofe e responda: Quais as coisas que o compositor acha que sempre devem existir?
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor.
  1. Releia a quarta estrofe. O que o autor não consegue aceitar?
Qualquer sacanagem ser coisa normal.
  1. Todas as frases a seguir correspondem a momentos em que, segundo o texto, o autor pode contar com o apoio do menino que existe dentro dele, EXCETO:

a)    Quando o adulto balança.
b)    Quando o adulto fica triste.
c)    Quando o adulto fraqueja.
d)    Quando o adulto joga bola de gude.